Antes relegadas a segundo plano, as mulheres estão tomando cada vez mais os lugares dos homens. Em Franca, 33,7% das famílias já são chefiadas por elas - ou seja, de cada dez casas da cidade, três têm as mulheres como líderes. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e mostram ainda que em 2000 (dez anos antes do último levantamento), esse porcentual era bem menor - chegava apenas a 19,7%. De acordo com o estudo de 2010, Franca tem 86.158 famílias.
Responsável pela maior fonte de recursos da residência, elas alcançaram esse patamar devido a diversos fatores. Segundo o IBGE, um dos principais motivos é a presença maior das mulheres no mercado de trabalho, que no período subiu de 55 mil para 73,8 mil.
“Antes a mulher era submissa e dependia do marido. Hoje, esse cenário mudou. A mulher tem mais independência e um grau de autonomia maior, que permite diante de uma necessidade assumir o comando da casa”, explica a professora e doutora em economia Rosalinda Chedian Pimentel.
Nas classes mais baixas, esse papel passa a ser executado após o abandono, separação ou envolvimento do cônjuge com as drogas e a marginalização. Nas classes mais altas, quando o marido está presente, elas começam a contribuir de forma efetiva com a manutenção da casa e há até a inversão de funções.
“Houve mudança de comportamento e de cultura. Hoje muitos homens cuidam dos filhos, enquanto as mulheres assumem searas antes dominadas por eles em razão de um reconhecimento ou grau de instrução maior. Há casos também de mulheres bem instruídas que comandam sozinhas a casa, as configurações familiares estão diferentes”, aponta a economista.
Pelo estudo, o número de mulheres com ensino superior completo também cresceu na última década. Em 2000, haviam 7.258 mulheres com formação universitária em Franca. Dez anos depois, esse total praticamente dobrou e chegou a 14.505 francanas.
Arrimo de família
A cozinheira Idê Monteiro Novato sabe bem o que é ser chefe de família. Quando tinha 39 anos, ela se separou do marido e passou a cuidar sozinha dos três filhos trabalhando com confeitaria.
Hoje, aos 65 anos, ela continua na ativa e divide com a filha o sustento da casa. “Minha filha também é separada e tem duas filhas e um neto de um ano e meio. Moramos todos juntos. Ela trabalha como caixa de supermercado e eu trabalho de noite preparando café da manhã em um hotel.”
Para ajudar ainda mais em casa, Idê também participa de cursos de geração de renda e pretende em breve começar a fazer pães para fora. “Já fiz o curso e só estou esperando para comprar o forno, enquanto isso estou fazendo outro curso de aplicação de bordado.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.