Por dia, cerca de 90 moradores de rua passam pelo Centro Pop de Franca. Lá, pela manhã, participam das oficinas. Eles escolhem entre três modalidades: artesanais, esportivas ou musicais. Nas oficinas, acabam interagindo com os funcionários. “Aos poucos, criam vínculos e contam suas histórias e problemas. Ninguém está na rua porque quer. A maioria está doente, sofre com a dependência química”, disse a secretária de Ação Social, Gislaine Peres.
Depois, têm a opção de almoçar. À tarde, normalmente, costumam sair. “O movimento é menor mesmo nesse período. Só costumam ficar aqui os que têm atendimento.” Em salas individuais, os moradores de rua são atendidos por psicólogos, assistentes sociais e, quando necessário, por advogados. “Nossa missão é acolhê-los, tratá-los e tentar reinseri-los na sociedade.”
Os que decidem se livrar do vício das drogas ou álcool são encaminhados para internação em comunidades terapêuticas. Neste primeiro ano, foram 48 encaminhamentos feitos e que continuam em tratamento.
No Centro Pop, eles também têm a oportunidade de participar de cursos profissionalizantes que são oferecidos em parceria com o Senai. “Dos 261 moradores de rua cadastrados neste primeiro ano de funcionamento, 82 foram encaminhados para os cursos e estão trabalhando.”
A participação nas oficinas e nos cursos não é obrigatória. O maior obstáculo é mesmo o vício. “Aqui no Centro não é permitida a entrada de qualquer bebida alcóolica ou drogas. Eles também não são aceitos se estiverem sob o efeito dessas substâncias. Eles têm que se esforçar para se manterem longe do vício para estarem aqui e participar.”
No Centro também não há seguranças. Os acessos são livres. “O que existem são regras que elespróprios nos ajudaram a estabelecer. Quem desobedece é afastado e impedido de entrar”, afirmou a secretária. As regras foram sendo impostas com a experiência adquirida neste primeiro ano.
Quem não participa dos cursos pode ficar na sala de TV, mas é proibido de atrapalhar. “Muitos são idosos, estão doentes e não têm condições de frequentar as aulas. Então, ficam na sala de TV.”
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