O que tiver que fazer que seja em vida


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Além da costumeira visita ao túmulo de entes queridos, o Dia de Finados deveria servir para os que ainda estão do lado de cá refletirem a respeito da única certeza da qual ninguém pode fugir, que é a passagem para um outro plano, seja rico, seja pobre, poderoso ou um simples anônimo. Por isso mesmo, a morte terrena é o sinal de igualdade na equação da vida. Rezar pelos mortos, levar uma flor é importante e manifesta nossa saudade, mas é preciso, acima de tudo, valorizar e respeitar as pessoas enquanto estão vivas. O bom filho, o bom esposo ou esposa não sentem tanto remorso quanto os que guardaram mágoas ou deixaram para amar essas pessoas só depois que elas partiram. Tem até aquele ditado popular que diz que viúvo é quem morre, já que alguns parceiros ou parceiras nem esperam o corpo esfriar para fazer a fila andar. Outra estupidez é querer erguer um verdadeiro mausoléu para marcar o lugar onde o corpo virou pó, mas quando em vida, muitas vezes, não ofereceu à pessoa uma moradia ao menos confortável. Não passa de um exibicionismo. Do que adianta também depositar e esquecer o pai ou a mãe num asilo, passando meses sem visitá-los, para depois da morte chorar a sua ausência. Outra coisa são homenagens, que geralmente só acontecem depois que a pessoa morre. Se merecerem, deviam ser exaltadas em vida. E não é porque morreu que virou santo. Contam que num velório um político fazia elogios ao morto, que tinha sido uma tranqueira, que a esposa chamou um dos filhos e falou: “Vai no caixão e vê se é mesmo o seu pai dentro dele!”

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