Mortes no futebol


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A torcida faz parte do espetáculo e está presente nos estádios desde a década de 1940 na forma de ‘organizadas’ surgidas da associações de torcedores reunidos pelo amor ao esporte e com propósito de incentivar times. A adesão às torcidas organizadas se profissionalizou sob amparo dos clubes e benefícios nem sempre transparentes. A despeito de pregarem apoio incondicional aos clubes, subsistem em benefício próprio.
 
Realiza-se à margem do clube com objetivos financeiros diretos ou indiretos pela adesão de ‘torcedores contribuintes’.
 
Em consequência, estádios passaram a ser loteados pelas organizadas a ponto de se aliarem a organizadas de outros locais para garantir acesso tranquilo em jogos contra equipes rivais. Também como consequência, torcedores rivais se transformaram em organizadas rivais, e grupos de organizadas rivais.
 
Temos, então, desenhado o alijamento do torcedor comum dos estádios, e da violência entre organizadas. Ao fim, só profissionais, financiados ppr organizadas e clubes é que vão a todos os jogos. O cenário é alimentado por negligência a episódios de violência, clandestinidade e ilegalidades como se fossem atos isolados, e não das agremiações. O Estado, ao invés de regulamentar fica refém e tem que disponibilizar força policial, transporte público exclusivo, interceptar vias de acesso a estádios, na tentativa de evitar episódios de violência. 
 
É preciso identificar e cadastrar torcedores vinculados a grupos e atribuir-lhes caráter de associação criminosa, impedindo suas aglomerações. A presença do público nos estádios da Copa esboçou que é preciso buscar: o retorno do ‘torcedor comum’ ao estádio, resgatando o propósito de lazer, e, acima de tudo, garantindo o encerramento do espetáculo na volta para casa, com festejo ou pesar, mas, em todos os casos, com paz e com certeza de poder cantar ‘mas que beleza é uma partida de futebol’.
 
Dimas Eduardo Ramalho
Conselheiro Corregedor do TCESP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo)

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