Desafio persistente


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Durante todo o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), a economia desceu a ladeira e nunca mais encontrou o caminho do crescimento. Nesta última semana, o governo federal só recebeu más notícias, logo após a presidente conseguir o seu segundo mandato: a arrecadação da Receita ficou abaixo do esperado e, ontem, anunciou-se um rombo nas contas do governo. Com isso, Dilma entra em seu segundo mandato com desafios ainda maiores do que enfrentou nos últimos anos,e os quais não conseguiu contornar.Tudo o que aconteceu e agora parece se tornar mais visível é uma prova da falta de rumo — e de imaginação — da equipe econômica comandada pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), que parece, está prestes a perder o posto. Mas o Planalto precisa não apenas de um novo ministro, mas de novas diretrizes, capazes de recolocar o País e os seus setores produtivos de volta nos trilhos do desenvolvimento. Pelo menos nos últimos quatro anos, a economia brasileira andou para trás, sem investimentos, com desemprego crescente e o poder de compra sendo comprometido.
 
Durante toda a campanha eleitoral, Dilma Rousseff insistiu em que a inflação estaria sob controle e que o seu governo manteria uma verdadeira cruzada contra o aumento de preços e serviços. Nos programas eleitorais e debates, repetiu diversas vezes que seu adversário Aécio Neves e o partido dele (PSDB) só sabiam combater inflação com o aumento da taxa Selic (que norteia os juros no País). Porém, na última quinta-feira, o Banco Central surpreendeu até o mercado ao subir a taxa.
 
A Selic causa uma retração na oferta de crédito pelos bancos e pode provocar uma queda nos índices inflacionários, mas não há uma garantia de que apenas essa providência seja capaz de combater a inflação. Outras providências são necessárias, mas até ontem não havia certezas de que a condução da política econômica vá mudar nesse sentido. A continuar o mesmo rumo que vem sendo seguido desde o início de 2009, apenas com desonerações de impostos e da folha de pagamento, há que se prever maus momentos para todos. O País clama por reformas profundas na relação do governo com o setor produtivo, além de uma ampla reforma tributária que tire dos ombros da classe trabalhadora o peso colocado ali nos últimos anos.
 
Faltam estímulos ao setor produtivo nacional, que vive uma situação de estagnação pelo menos na última década. A partir do momento em que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) se tornar parceiro prioritário de pequenas e médias empresas, dando-lhes condições de investir em tecnologia e ampliação de suas plantas, parte da equação será resolvida. Admitir que o desemprego no Brasil é maior do que as estimativas oficiais é necessário para que mais este desafio seja encarado com grande coragem. Do contrário, daqui a quatro anos, Dilma entregará o País muito pior do que agora. Se não houver uma mudança radical nos rumos da política econômica, fazendo-se as reformas necessárias e consideradas prioritárias por especialistas, continuaremos andando para trás.
 
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