O menino de onze anos espera, espera, e consegue se aproximar do homem forte, grande.
- A mãe mandou eu aqui...,carece do senhor ir lá em casa pra ver ela. Ela mandou eu porque o pai tá na roça, só vem sábado.
O homem especula em vão.
- Só sei que vomita toda hora... sem parar.
- Você veio de carro?
- Não, senhor. Vim correndo.
O homem coça cabeça, pergunta o endereço, escreve.
- Fala que eu vou logo.
Um tempão depois para um carro de aluguel na porta da casa. O homem desce, entra na casa. Sentado na beirada da cama, examina a mulher, fala, fala. Na mesa da sala, escreve receita. Lá do quarto, a doente insiste:
- Sábado Vadico vem, paga o senhor.
Anos depois, o menino - homem - sonha com aquele homem grande e forte. O sonho acorda memórias, e as lembranças acordam gratidão imensa.
Deitado, fecho os olhos e, no escuro, leio no passado que o médico Cirilo Barcelos foi sempre um homem de bem.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
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