A meia-noite
é uma hora
escatológica.
O zero
que acontece no silêncio
dos justos (ou mesmo injustos)
que dormem ou na euforia
daqueles que comemoram insones.
Tal como os acontecimentos
históricos que dividem as Eras
ela é um marco.
Um marco e um caos. Novo caos.
A cada vinte e quatro horas
finda-se uma era e nasce outra
nas histórias de bilhões de seres
mais ou menos anônimos.
Zero hora;
marco zero.
Linha de chegada e,
ao mesmo tempo,
ponto de partida.
O apocalipse cíclico:
consumação da morte.
Gênesis reprisado:
o recomeço vigoroso da vida.
À nossa frente o desafio
de fazê-la caber
dentro do tempo.
Ronaldo Silva, vendedor, universitário
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