As ‘principais preocupações dos brasileiros’ foi tema de pesquisa do Datafolha. Foram entrevistadas 2.126 pessoas em 134 municípios. A saúde ‘ganhou’. No Sudeste, 28% da população, 31% no Norte e Centro-Oeste, 35% no Nordeste e 38% no Sul cravaram o tema como ‘medo’ mais relevante. É compreensível. Entre 1990 e 2011, tempo de grande queda no número de doenças infecciosas e aumento de doenças crônicas, mortalidade por diabetes subiu de 12 mortos por cem mil habitantes para 30, e a do câncer, de 56 para 94.
A segurança é a segunda preocupação. No Norte e no Centro-Oeste preocupa 28% das pessoas; Sul e no Sudeste, 25%; no Nordeste, 23%. A OMS afirma que o Brasil vive epidemia de violência: o índice de 2012 bateu 29 mortes para cada 100 mil habitantes. Índice baixo é o de solução de homicídios: entre 5 e 8%. Nos EUA, solucionam-se 65% dos casos; no Reino Unido, 90%.
A perda de emprego é o terceiro maior medo. No Nordeste, 16% da população teme o desemprego. O curioso é que a região é a mais beneficiada pelo Bolsa-Família. Talvez indique a falta de oferta de trabalho e de cursos profissionalizantes. Nas regiões Norte e Centro-Oeste são 14%; 11% no Sudeste e 8% no Sul.
A Educação vem em quarto. No Brasil há mais de 50 milhões de alunos no ensino básico. No Ensino Fundamental 24% dos alunos não estão na série adequada e, no Médio, 33%. Depois, vem o transporte: 10% da população do Sudeste, 6% do Centro-Oeste e Norte, 5% na Região Sul e por 4% no Nordeste. Basta ver as condições do transporte público para entender. E para quem usa carro também não é fácil não. O trânsito está cada vez pior e não há perspectiva de melhorar. Por fim, vem a inflação. Já vivemos em hiperinflação. Em 1993, a inflação anual chegou a 2.708%. Com o Plano Real livramo-nos dela. A equipe econômica atual tem perdido a guerra por controlá-la. É o pior dos mundos.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
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