Santo de casa


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Domingo último o povo brasileiro participou da eleição presidencial mais acirrada do período pós democratização e pós restabelecimento das eleições diretas para o cargo executivo mais importante do Brasil. A disputa recolocou Minas Gerais no mapa político brasileiro. Dilma, candidata reeleita, e Aécio, ambos mineiros, tiveram, somados, mais de 105 milhões de votos.
 
Alguns especialistas atribuem a derrota de Aécio a seu desempenho nos Estados de Minas Gerais e Pernambuco, este o único Estado da região Nordeste onde os declarados apoios da candidato a presidente Marina Silva, derrotada no primeiro turno, e da família de Eduardo Campos — candidato a presidente morto em acidente aéreo durante a campanha do primeiro turno, sinalizavam para resultado que poderia ser mais expressivo ao candidato tucano Aécio Neves.
 
Em Minas Gerais — onde Aécio fez toda a sua carreira política, Estado que o fez senador, deputado quatro vezes e governador por duas —, mais de 3 milhões e 800 mil votos foram jogados fora entre abstenções, votos brancos e nulos, e era quantidade mais do que suficiente para o resultado final da disputa com Dilma fosse invertido. 
 
Particularmente acho que o resultado favorável à candidata do PT passou pela não manifestação clara e inequívoca de Aécio Neves, em sua propaganda política, de que não alteraria os programas sociais ‘Bolsa Família’ e ‘Minha Casa, Minha Vida’ criados nas gestões de Lula e Dilma e apoiados por milhões de beneficiados. As manifestações do político mineiro sempre deixaram dúvidas. 
 
Outro aspecto interessante foi o fato de que Dilma Rousseff perdeu no Rio Grande do Sul, tradicional reduto petista e Estado onde ela construiu toda a sua carreira política antes de se filiar no PT e se tornar ministra do governo Lula. Parece que, novamente, materializou-se o ditado popular de que ‘santo de casa não faz milagre’. Até Jesus foi desacreditado e hostilizado em sua terra natal a ponto dele próprio afirmar que ‘não há profeta, sem honra, senão em sua própria terra.’
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca 
 

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