O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) faz cara de paisagem e finge que não é com ele quando qualquer assunto grave lhe é apresentado. Todos os problemas que irrompem em sua administração (e eles são incontáveis) ficam sem resposta, mesmo diante de um forte clamor popular. Assim como no caso das oito mortes suspeitas relacionadas ao atendimento do sistema público de saúde, vários outros assuntos gritam por uma resposta do chefe do Executivo. Principalmente porque, de forma autoritária e avessa à crítica, ele sempre deixa claro que é o responsável por tudo na sua administração. No fundo, é o supernarciso em ação, incapaz de firmar parcerias ou delegar poderes.
No momento atual, Alexandre precisa vir a público e explicar quais são as razões que impedem a dona de casa Elisabete Rodrigues de conseguir uma consulta com um médico cardiologista. Paciente com doença cardíaca, precisa ser acompanhada de perto por um profissional da área, o que não acontece desde janeiro. A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde não dá uma resposta satisfatória e deixa em suspenso a possibilidade de atendê-la. O que será preciso acontecer para acabar com tal atitude obtusa? A morte de mais um?
As famílias dos oito pacientes mortos em circunstâncias suspeitas em razão do atendimento médico esperam respostas. E vão continuar cobrando, mesmo que o prefeito volte a dizer cinicamente que isso “são coisas velhas que deveriam estar no museu”. Em nenhum dos casos houve pelo menos um pedido de desculpas. E isso o Comércio também continuará cobrando, mesmo com a certeza de que o gesto de reconhecimento pelas falhas no setor (que foi comandado pelo atual prefeito por mais de seis anos) não virão. Há que se ter um mínimo de grandeza moral e espiritual para reconhecer falhas e pedir desculpas. Alexandre Ferreira não foi aquinhoado com tal virtude. As vaias que vem recebendo a cada evento de que participa são prova de que seus atos são percebidos em toda sua mesquinhez pelos francanos.
Além das mortes na saúde, Alexandre Ferreira precisa dar explicações sobre o Centro Pop, criado para o acolhimento de moradores de rua. Pelo menos neste caso, ele será obrigado a dar uma satisfação diante do requerimento do delegado e vereador Daniel Radaelli (PMDB) que pede explicações a respeito não só do funcionamento, mas também dos objetivos do Centro Pop.
Finalmente, Alexandre Ferreira precisa explicar as palavras da secretária de Ação Social, Gislaine Peres, segundo a qual as ocorrências fora do Centro Pop, como o assassinato de um morador de rua numa praça da Vila Monteiro, não são de responsabilidade da pasta. É uma atitude que não condiz com a posição que ela ocupa. Transferir o ônus para os outros é atitude de gente infantilizada, acovardada ou omissa. Se a ação social levou a uma situação de segurança pública, a pasta é responsável, sim, por desconsiderar o tamanho do impacto que o Centro Pop teria sobre a população do seu entorno. Alexandre Ferreira precisaria parar de tergiversar e dar as respostas que a população de Franca está esperando há mais de um ano. É o mínimo que poderia fazer.
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