61 mil francanos têm dívidas em atraso e, juntos, devem R$ 86 mi


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Movimentação no Centro de Franca na tarde de ontem: aumento na inadimplência do francano tem sido sentido pelos comerciantes
Movimentação no Centro de Franca na tarde de ontem: aumento na inadimplência do francano tem sido sentido pelos comerciantes
Em setembro deste ano, as dívidas em atraso dos francanos alcançaram R$ 86,6 milhões segundo dados do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) divulgados pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). O valor é quase três vezes e meia maior que a inadimplência registrada no mesmo mês de 2013, quando a soma dos calotes alcançava R$ 25, 3 milhões. 
 
Os dados apontam ainda que, além do valor em dinheiro, o número de francanos no vermelho também subiu de um ano para cá, assim como o número de dívidas que não foram pagas no vencimento.
 
Em setembro de 2013, eram 44.649 inadimplentes que possuíam 92.661 débitos atrasados. No mesmo mês de 2014 o número de caloteiros subiu para 61.366, com um total de 123.450 pendências. 
 
Para o economista Hélio Braga, os motivos para mais francanos estarem no vermelho são a inflação, as altas taxas de juros praticadas pelas financeiras atualmente, além dos baixos salários em Franca.
 
“A renda média em Franca é muito baixa. Gira em torno de R$ 1.300. Isso somado aos preços em alta, que são consequência da inflação, têm um efeito danoso no orçamento das famílias. Além disso, os reajustes salariais desse ano basicamente cobriram a inflação que ficou muito alta em 2014. Não teve um aumento real”, disse o economista.
 
A inadimplência em Franca fica ainda pior quando relacionada ao índice da região ou do estado de São Paulo. Ainda segundo dados do SCPC, comparando os números de janeiro a setembro de 2014 com o mesmo período de 2013, o Indicador de Registro de Inadimplência no município subiu 10,7%, enquanto na Região Administrativa de Franca, formada por 23 municípios, a alta foi de 7,7%. No estado de São Paulo o Indicador ficou negativo em 0,2%; no Brasil o índice foi de 2,4%.
 
Reflexo
O crescimento da inadimplência do francano tem sido sentido pelos comerciantes do Centro da cidade. 
 
Segundo a gerente da loja Monalisa Calçados, Maria Helena Lourenço, o crescimento nos calotes é percebido na hora da venda. “Tem acontecido com frequência a gente pesquisar o nome do cliente no SCPC na hora de liberar uma compra no carnê e descobrir que ele está com o nome sujo. Ano passado acontecia menos”, disse Maria Helena. 
 
O gerente da loja de Móveis Xavier, José Aparecido da Silva, disse que a alta na inadimplência reflete na modalidade de venda. “Ano passado a porcentagem de vendas a prazo era de 70%, enquanto as vendas à vista representavam 30%. Hoje é quase 50% para cada lado, porque as pessoas não estão tendo crédito na praça por conta das dívidas. Essa semana mesmo vendemos um computador de R$ 900 à vista e isso era muito difícil de acontecer”.
 

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