‘Por enquanto estou no temporal, mas acredito que ele vai passar’


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Com o sorriso estampado no rosto,  Edivânia Duarte da Silva, 41 anos,  enfrenta os desafios que a vida lhe impõe
Com o sorriso estampado no rosto, Edivânia Duarte da Silva, 41 anos, enfrenta os desafios que a vida lhe impõe
Edivânia Duarte da Silva, 41 anos, é uma das centenas de pessoas que usufruem da estrutura oferecida pelo Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida), casa que recepciona gratuitamente e com muito amor o doente de câncer e seu acompanhante. Mãe de uma menina de apenas 2 anos, ela descobriu um câncer de mama há seis meses e, desde então, os dias foram se tornando desafios cada vez mais difíceis em sua vida. A maneira tímida, a voz suave e a simplicidade com que Edivânia conta como sua luta começou não dão sinais e muito menos revelam que seu atual momento é ainda mais desafiador. Isso só é possível descobrir quando ela mesmo conta que a doença está se espalhando pelo seu corpo e a cura não faz parte da sua realidade.
 
“Eu estava tranquila. Falava que não via a hora de passar seis, sete meses para tudo se resolver, mas agora descobriram que estou com metástase óssea e não vou sarar. Por conta disso, minha fé diminuiu um pouco, mas não vou desanimar de jeito nenhum. Tenho uma filha de apenas 2 anos. Ela é linda, e pensar nela me dá força. Quero viver por ela.”
 
No caso de Edivânia, o câncer de mama foi descoberto por acaso. Ela realizava um tratamento de câncer de pele quando comentou com a médica que devia ter se machucado, porque estava com uma pequena íngua debaixo do braço. A médica orientou que podia ser algo maior e solicitou a mamografia. “Achava que tinha apenas uma íngua no seio e nem dava bola, mas a médica disse que não era apenas isso. Pediu a mamografia e eu fiz. Isso foi em abril deste ano. Depois teve todo um processo para confirmar até marcarem a cirurgia.”
 
Sem outra alternativa, o procedimento foi realizado no início de julho. Edivânia foi para a sala de cirurgia sabendo que poderia acordar com ou sem uma mama e que isso dependeria do resultado da biopsia, exame que foi realizado durante o procedimento. Ao acordar da anestesia, a primeira reação foi levar as mãos até o seio e logo descobriu que a mastectomia havia sido inevitável.
 
“Já acordei sem mama. Ele me preparou, mas só acreditei quando vi. Eu acordei da anestesia, coloquei a mão e perguntei: ‘Teve mesmo que tirar?’ Ele disse que sim e que eu teria que fazer todo o tratamento, mas eles me acompanhariam. Na hora eu nem chorei, mais tarde pedi misericórdia de Deus... Mas depois chorei uma noite inteira.”
 
Mesmo com todas as dificuldades, Edivânia preferiu pensar positivo e não imaginou que novos desafios pudessem surgir. Com uma filha pequena, sua mãe foi peça-chave durante a recuperação da cirurgia, mas ela não contava que a sua grande aliada nesta luta iria lhe deixar. “Pensava que nada podia piorar para uma pessoa sem mama e sem cabelo, mas vi que pode sim, quando a minha mãe morreu. Ela que cuidava de mim e da minha nenenzinha, mas faleceu no dia 10 de setembro. Aí, sim, meu mundo desabou.”
 
Desistir é uma palavra que não faz parte do vocabulário de Edivânia. Atualmente, ela está fazendo quimioterapia de 21 em 21 dias, entre outros procedimentos. Ontem, ela foi até o Hospital do Câncer de Franca realizar mais um exame. “No início tinha impressão de que não ia ser nada de mais, mas os últimos exames mostraram que a doença já está no meu fêmur e na bacia. Ela migrou e agora já não tem cirurgia. Hoje (ontem) vim fazer um outro exame. Uma íngua que eu achei que não era nada se transformou em um monstro. Mesmo assim, não perco a fé de jeito nenhum. Por enquanto, estou no temporal, mas acredito que ele vai passar.”
 
Troca de experiências
A reportagem do Comércio conheceu Edivânia e sua história durante uma visita realizada, na manhã de ontem, ao Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida). A instituição foi fundada há três anos e, desde então, é palco de encontros, amizades, angústias, alegrias e novos começos em “família”.
 
A casa é um grande apoio para os dias que Edivânia, moradora do City Petrópolis. “Estava no hospital e passaram perguntando se eu não queria vir almoçar. Achei ótimo, porque é um apoio para a gente. Com o Iansa, vou de manhã para o hospital, almoço e volto para lá à tarde para fazer as demais coisas. Só tenho a agradecer o pessoal daqui.”
 
Durante a visita, a reportagem conheceu também outras histórias. Entre elas, a do aposentado André Antônio Torres, 66. Morador de Ituverava, ele vem ao hospital todos os dias para realizar radioterapia com o objetivo de combater um câncer no reto. Atualmente, André fala tranquilamente sobre a doença, mas a confirmação do diagnóstico foi um grande desafio.
 
“Eu já sabia há algum tempo que estava com câncer, mas aquele medo e preconceito de fazer o exame me impediu de ter certeza antes. Não sei se era medo do resultado ou do tratamento, mas demorei uns dois anos para fazer. Ignorância mesmo, infelizmente! Agora estou lutando. Se eu abaixar a cabeça serão duas doenças. Por isso, estou com fé em Deus e olhando apenas para frente e para cima.”
 
Entre os frequentadores da instituição uma surpresa. Moradora de Patrocínio Paulista, Geisa Coelho da Silva, 66 anos, almoçou ontem no Iansa. Ao contrário dos outros frequentadores, ela não é uma paciente do Hospital do Câncer, mas ontem foi até lá para se prevenir e fazer uma mamografia. “Faço todo ano para prevenir e, graças a Deus, nunca deu nada. Vamos ver agora. É muito importante fazer, porque às vezes tem alguma coisa que a gente não sente no exame feito em casa. Alguns falam que eu já estou de idade e não preciso fazer, mas faço questão e venho todo ano.”

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