Ex-senador teve vida ligada à luta pelos direitos dos negros


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Abdias Nascimento, filho do sapateiro-músico “Seo” Bem-Bem e da doceira dona Josina
Abdias Nascimento, filho do sapateiro-músico “Seo” Bem-Bem e da doceira dona Josina
Nascido em Franca, em 1914, o escritor, jornalista, artista plástico, teatrólogo, ator, poeta e político Abdias Nascimento, filho do sapateiro-músico “Seo” Bem-Bem e da doceira dona Josina, foi um dos maiores ativistas da luta pelos direitos humanos no Brasil e, especialmente, pela cidadania da população negra. Sua data de nascimento, 14 de março é, desde 2009, por lei estadual, o Dia do Ativista no Rio de Janeiro.
 
Foi em Franca que Abdias aprendeu a lutar pela defesa do seu povo. Um dia viu sua mãe defender um órfão negro sendo espancado por uma mulher branca. Desde então, foi despertada nele uma força contra o racismo que o acompanhou pela vida inteira. Em 1930, depois de se formar contabilista no Ateneu Francano de Ensino, alistou-se no exército e foi morar em São Paulo. Um ano depois se engajou na Frente Negra Brasileira, que lutava contra a segregação racial. Foi preso pela ditadura de Getúlio Vargas em 1936 e, quando saiu, se tornou líder do grupo que participou da organização do Congresso Afro-Campineiro em 1938. Em 1944, morando no Rio, fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN). Escreveu textos de protestos, colocou em cena e dirigiu atores negros formados por ele. Em 1945 a Convenção Nacional do Negro, patrocinada por seu Teatro, propôs à Assembleia Nacional Constituinte um dispositivo definindo a discriminação racial como crime. Em 1947, Abdias criou o jornal Quilombo, que lutava por essas medidas. 
 
Nesse período e nos anos seguintes, escreveu três livros de ensaios, O negro revoltado, O quilombismo e O genocídio do negro brasileiro.
 
Em 1950 Abdias organizou o Primeiro Congresso do Negro Brasileiro e trouxe à tona a questão do desemprego, do subemprego e dos favelados sob um ângulo sociológico. Questionou ainda a “Lei Áurea” que, em sua opinião, libertara os negros, mas não lhes dera condições de sobrevivência. Os anos se passaram. Na década de 60, em viagem aos Estados Unidos, descobriu o amor por outra manifestação artística, a pintura e, por meio dela, continuou a divulgar a importância da igualdade racial. 
 
De volta ao Brasil, em plena ditadura militar, teve nome incluído em vários inquéritos policiais militares, em especial em função das ações de seu Teatro. Em 1968, depois de muitas pressões sofridas, o ativista se exilou nos Estados Unidos. Lá trabalhou como professor universitário. Novamente de volta ao Brasil, iniciou carreira política no PDT, partido pelo qual se elegeu deputado federal (1983-1987) e se tornou senador da República, como suplente de Darcy Ribeiro, exercendo o mandato de 1991 a 1992 e de 1997 a 1999. 
 
Em 2010 seu nome chegou a ser cogitado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Ele estava com 96 anos de uma vida dedicada à defesa da cultura negra e do respeito às tradições afro-brasileiras. Abdias Nascimento, que era casaco com Elis Larkin Nascimento, morreu em 23 de maio de 2011, aos 97 anos, vítima de complicações decorrentes do diabetes. Em cumprimento a um desejo seu, o corpo foi cremado e as cinzas lançadas na Serra da Barriga, em Alagoas, local do maior centro da resistência negra no Brasil, o Quilombo dos Palmares. 

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