Em abril de 2012 a Câmara Municipal de Franca prestou uma homenagem ao ex-senador Abdias do Nascimento. Por iniciativa do então vereador Vanderlei Tristão foi aprovada lei denominando “Abdias do Nascimento” a Casa do Artista Francano, que ainda estava em fase de construção, com o objetivo de abrigar o acervo da atriz Regina Duarte.
O vereador que apresentou a lei, a Câmara que a aprovou e o então prefeito Sidnei Rocha que a sancionou fomentaram uma polêmica. Enquanto homenageavam o político nascido em Franca de um lado, desprestigiavam a atriz francana do outro. E Regina Duarte, que concebeu o espaço que abrigaria o acervo de sua carreira de mais de 50 anos - e batalhou por verbas para a criação da Casa da Cultura - desistiu de doar seu acervo.
A casa levaria ainda quase dois anos para ser concluída. Em março de 2014, às vésperas de uma das datas previstas para a inauguração da Casa, percebendo que a denominação da casa da cultura com o nome do político traria dissabores, o prefeito tentou uma troca. A bancada de apoio de Sidnei Rocha apresentou a opção de dar o nome de Abdias ao novo prédio da Secretaria de Educação e espaço cultural continuaria se chamando apenas ‘Casa da Cultura e do Artista Francano’. A proposta não agradou aos vereadores e, diante da repercussão negativa, foi retirada antes de ir à votação. Prevaleceu, então, o projeto inicial de Tristão.
Mas, para que ele fosse levado a termo, foram necessárias várias semanas e uma pressão dos ex-vereadores Marcelo Valim e Vanderlei Tristão que usaram a tribuna para cobrar dos parlamentares em exercício naquele momento que tomasse providências para o cumprimento da lei, ou seja, para que o nome Abdias do Nascimento fosse grafado na placa da casa.
Preocupava aos dois o fato de que a obra já recebia os retoques finais para a entrega, mas a fachada principal do prédio trazia, em seu letreiro, apenas a inscrição “Casa da Cultura e do Artista Francano”. Sem referências a Abdias, fato que despertou reações contrárias da comunidade negra e de vereadores, entre eles, Vanderlei Tristão. “É uma tristeza muito grande o que está acontecendo. Isso é uma afronta à comunidade negra, não só de Franca, mas de todo o país. É uma atitude racista. Estamos no século XXI e ainda estamos vendo estas coisas”, disse. Aparentemente a pressão surtiu efeito e algumas semanas depois a Prefeitura fixou letreiros na fachada do espaço com o nome “Abdias do Nascimento”. E sem o acervo de Regina Duarte.
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