Fisioterapeuta ajuda mulheres na reabilitação do câncer


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O trabalho da fisioterapeuta Georgiana Flausino  busca melhorar a qualidade de vida das pacientes
O trabalho da fisioterapeuta Georgiana Flausino busca melhorar a qualidade de vida das pacientes
Uma mão estendida que ajuda o passageiro de uma longa viagem a descer do trem e a continuar sua caminhada. Depois da jornada de tratamento do câncer de mama, o setor de reabilitação representa esse apoio para que a paciente siga sua vida normal. A fisioterapeuta Georgiana Flausino, 42, dedica sua vida profissional auxiliando essas mulheres a retomarem suas atividades diárias, minimizando as consequências do tratamento contra a doença.
 
Ela trabalha no setor de reabilitação do Hospital do Câncer em Franca, na área de fisioterapia oncológica. A maioria das pessoas atendidas pela fisioterapeuta são mulheres em tratamento do câncer de mama.
 
A especialidade de Georgiana é a linfoterapia, que atua na prevenção e no tratamento de linfedema - acúmulo anormal de líquido. No caso de mulheres que tiveram o câncer de mama, esse problema pode ocorrer na região do braço, decorrente da retirada de gânglios, e causa inchaço e dor (leia mais em texto nesta página).
 
“Eu queria ajudar de alguma forma e eu via que tinha muito a ser feito. Quando entrei no Hospital do Câncer de Franca, há uns 10 anos, vi que não havia tratamento para mulheres com câncer de mama que tinham o linfedema. Essas mulheres ficavam desamparadas: ou elas pagavam para tratamento no sistema particular, que era caro, ou ficavam sem tratamento”, disse Georgiana. 
 
Ela foi uma das responsáveis por implantar esse serviço de fisioterapia oncológica no Hospital do Câncer pelo SUS. A fisioterapeuta pontua que a reabilitação oncológica oferece um amparo para a mulher, que se sente mais segura por estar informada e receber cuidados, vendo que a melhora é possível.
 
O trabalho de Georgina envolve técnicas de tratamento para o linfedema e orientações. Porém, o seu cotidiano não é feito apenas de fisioterapia, a profissão lhe permite um aprendizado importante. “Para mim é um crescimento pessoal muito grande, porque são lições que eu levo como exemplos para minha vida. Pela minha convivência com as pacientes, aprendi a dar valor à vida e às pequenas coisas, e ter mais compaixão. Paciência e persistência são valores que eu tiro dessa experiência”, disse Georgiana.
 
A fisioterapeuta conta que o trabalho envolve momentos tristes e difíceis, pois muitas pacientes se encontram inseguras e com medo. Mas, segundo ela, a superação é uma marca forte nas mulheres em tratamento de câncer de mama. “Elas são guerreiras e são vitoriosas. Uma história que me chamou a atenção foi de uma paciente que resolveu fazer um curso de lingerie para costurar sutiãs para mulheres que fizeram a retirada do seio”, disse Georgiana. Os sutiãs possuem uma cavidade para colocar enchimento e são vendidos pela paciente por um preço abaixo do mercado.
 
Papo de mulher
O trabalho de Georgiana não se restringe às questões médicas. No dia-a-dia, lida também com intimidade e beleza. No consultório, onde ela atende cerca de 12 pessoas diariamente, acontecem conversas sobre dicas de sobrancelha, uso de perucas e de lenços.
 
Nessa troca de ideias entre mulheres, ganha destaque a questão da prótese mamária. “Eu faço as orientações da prótese mamária, avalio o peso e o tamanho ideal. A prótese é importante para coluna, para que a mulher não fique com um ombro mais alto que o outro e também para autoestima e estética.”
 
As próteses são confeccionadas e doadas pelas Voluntárias da Saúde. “O objetivo é amenizar essa problemática toda, pois a mulher cai de repente em um universo desconhecido. A gente procura deixá-las à vontade e quando ‘devolvemos’ a mama para essas mulheres, elas ficam numa felicidade muito grande”, disse a fisioterapeuta.
 
Georgiana revelou que, no começo da carreira, precisou “treinar o olhar” para enfrentar a questão da retirada do seio. “Quando iniciei era mais complicado, eu procurava controlar a feição para não parecer chocada, hoje isso já se naturalizou para mim.”
 
Para conviver com acontecimentos que despertam emoções fortes, Georgiana já fez terapia e tenta buscar um equilíbrio entre o emocional e os deveres profissionais. “É difícil encontrar esse equilíbrio para não ser só razão ou apenas emoção. O lado espiritual e emocional tem que estar bem para podermos lidar com essas situações”, pontuou.
 

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