O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) é uma fundação pública federal ligada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e suas pesquisas fornecem suporte técnico às ações governamentais.
Suas pesquisas embasam ações governamentais. Recentemente divulgou a pesquisa ‘Tolerância social à violência contra as mulheres’. Nela se concluiu que 65% dos entrevistados concordavam com a frase ‘mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas’. O barulho foi tamanho que órgão federal publicou nota alegando que houve erro no resultado. Não eram 65%, e sim 26%!
Segundo o instituto, houve troca ‘de colunas das planilhas’, o que originou o erro brutal. Um de seus diretores, Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração pelo erro cometido. Agora, outro diretor, Herton Araújo, pediu exoneração porque o proibiram de divulgar recente pesquisa sua obre a miséria social no Brasil. Segundo a cúpula do Ipea, só depois das eleições tornariam a falar sobre publicar, ou não.
Não se tratava de um primeiro estudo censurado. Conforme divulgou o site da Veja, houve outro engavetamento de pesquisa, mostrando que a concentração de renda aumentou no Brasil entre 2006 e 2012, o que vai contra todo o discurso do PT. Poucos sabem que o Ipea mantém filial na Venezuela, aberta em 2010 na época do ex-presidente Lula e do falecido presidente Chaves.A ‘filial’ é comandada por Pedro Silva Barros, colaborador da Carta Maior e autor de textos a favor do governo autoritário de Nicolás Maduro.
A Venezuela fechou o ano passado com 56% de inflação, falta de produtos básicos e de democracia. Apesar disso os estudos do Ipea elogiam o governo e dão ênfase à cooperação da Venezuela com o norte do Brasil. Aí está outro exemplo de aparelhamento. De novo, mais vale indicação política do que meritocracia e verdade. Queremos o fim das indicações políticas e a volta da meritocracia. Queremos um Novo Brasil e não uma Nova Venezuela, uma Nova Bolívia ou uma Nova Cuba.
Célio Pezza
Escritor, autor de livros
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