Venceu tese do ‘eles contra nós’


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O resultado das eleições após a apuração, domingo, mostra que além da vitória de Dilma Rousseff (PT) ser legítima, mas não consagradora (cerca de 70% dos eleitores brasileiros que compareceram para votar escolheram o tucano Aécio Neves, votaram em branco ou anularam), os institutos de pesquisa de opinião do País mais uma vez erraram. Somente o Datafolha chegou perto do resultado do pleito de domingo, quando apontou no sábado empate técnico entre a petista e o tucano. Já Ibope errou feio: nem dentro da margem de erro o resultado de anteontem aparecia. Os métodos deste tipo de levantamento vão precisar ser reavaliados, ainda mais num País de tamanho continental como o Brasil e com diferenças profundas entre as suas várias regiões.
 
Quanto à reeleição da presidente Dilma Rousseff, deve-se ressaltar que, ao contrário dos últimos pleitos, este foi bem acirrado, com uma campanha onde prevaleceram os ataques sobre as propostas, e o resultado das urnas mostrou que a temática do “nós contra eles”, “pobres contra ricos” prevaleceu. E deixou o País dividido como nunca antes aconteceu. Por regiões, Aécio teve mais votos no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto a vitória de Dilma veio do Norte e do Nordeste, além do Centro-Leste. A polarização, criada pelos marqueteiros da petista, deixa o País profundamente transformado. Basta uma olhada no mapa dos votos para constatar isso.
 
Em seu primeiro discurso após a vitória, usando branco (contrapondo o vermelho e preto usuais), Dilma Rousseff clamou por uma união do Brasil em seu segundo mandato. Uma união mais do que necessária para que o Brasil retome o seu rumo, buscando os avanços imprescindíveis para que abandonemos de vez uma postura terceiro-mundista que já não cabe nos dias de hoje. O Brasil precisa se unir e buscar novos caminhos para transformar nossos sistemas de saúde e de educação, levando-os a níveis mais humanos e aceitáveis. A união é necessária para que retomemos o rumo do crescimento, reforçando a nossa economia e o setor produtivo nacional. É o que todos nós, brasileiros, ansiamos. Como dizia a campanha da candidata,”’governo novo, ideias novas”.
 
Para tudo isso, o diálogo — também uma promessa da presidente reeleita — será fundamental, não apenas para a formação da base aliada. A oposição, que aparentemente sai revigorada das urnas, também deve ser consultada, principalmente quando se tratar de uma ampla reforma política, uma das urgências do próximo mandato. União e diálogo serão importantes para que o Brasil retome o seu rumo e se inclua entre os protagonistas do mundo. O Brasil, de dimensões continentais, precisa fazer jus ao seu tamanho e ocupar o lugar de destaque para o qual foi destinado. Se o discurso não se cristalizar na prática, ficaremos mais quatro anos esperando que apareça alguém capaz de fazer as mudanças que o País exige.
 
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