Seis jovens pesquisadores da Etec (Escola Técnica) “Professor Carmelino Corrêa Júnior”, o Colégio Agrícola, foram convidados para participar da Mostratec, a maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, que acontece em Novo Hamburgo (RS), de hoje até a próxima sexta-feira. Os alunos representam Franca com quatro projetos e tiveram a orientação de três professoras.
A Mostratec conta com 762 projetos de jovens cientistas de 22 países. Os alunos francanos viajaram para Porto Alegre (RS), distante apenas uma hora do local do evento, na madrugada de ontem. Eles passarão por avaliação e concorrerão a prêmios pelas melhores ideias.
Uma feira internacional não é novidade para Roberta Santos Carvalho, 17, que participa pela segunda vez este ano com ajuda de Isabela Conceição de Sousa, 21. As duas alunas desenvolveram um osso artificial orgânico para repor um pedaço fraturado e até para tratar a osteoporose. O trabalho é uma continuidade do projeto da pele artificial apresentado em uma feira de Los Angeles (EUA) por outra aluna da escola.
“Já existe um cimento ósseo que não é orgânico e, por isso, causa rejeição depois de alguns meses. O nosso é feito com escamas de peixe e colágeno de curtume, que o torna orgânico e faz a ligação até que o próprio osso cresça novamente e absorva o material implantado”, explicou Roberta.
Outro projeto de destaque é o da aluna Natyeli Cristina Silva, 17, que criou um uniforme mais seguro para os bombeiros com baixo custo. Premiada na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Tecnologia), quando apresentou apenas a bota do uniforme, já está certa sua participação em uma feira de ciências nos Estados Unidos para representar o Brasil no próximo ano. “Quero ajudar o país com projetos novos, que sejam úteis para a população”, disse.
Segundo a professora Joana D’Arc Félix de Sousa, o colágeno tirado dos resíduos de couro curtido serve para baratear os custos dos dois projetos dos quais é orientadora - osso orgânico e uniforme para bombeiros. “O problema no Brasil fica por conta das licitações públicas, que buscam o menor preço sempre, portanto, os uniformes brasileiros estão fora dos padrões aceitáveis de segurança. Nosso uniforme está dentro das normas internacionais e com baixo custo, cerca de R$ 100, enquanto que fora do país chega a custar mais de 10 vezes esse valor.”
Orientadora dos outros dois projetos (veja quadro nesta página), a professora Eliane Aparecida Basali Rocha disse que o objetivo é trabalhar com tecnologias limpas para minimizar as ações de produtos agressivos ao meio ambiente. Nesse sentido, os alunos Carlos Henrique de Sousa, 18, e Carlos Henrique Basali Rocha, 16, criaram um corante de couro utilizando produtos naturais no lugar dos sintéticos e poluentes.
Já a aluna Thaiza Paiano Fernandes, 16, tinha em mente estudar algo para curtir o couro sem produtos químicos, mas decidiu trocar o foco do projeto pensando em descontaminar a água depois do curtimento. Estudou a semente da moringa oleífera, já conhecida pela capacidade de absorção. “A casca absorve e retém o cromo, que é cancerígeno e tóxico, deixando a água limpa 98%, diferente de algumas empresas que usam o sulfato de alumínio que, além de caro, deixa a água limpa apenas 80%”, ressaltou.
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