Mortes na Saúde ainda continuam sem resposta; oito mortes suspeitas


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Nos últimos onze meses, pelo menos oito pessoas perderam a vida depois de serem atendidas pela Rede Pública de Saúde em Franca. Em todos os casos, as famílias acusam médicos e profissionais de negligência e falhas no diagnóstico e tratamento. Apesar da gravidade, até a última sexta-feira, a Prefeitura de Franca não havia apresentado o resultado das investigações que, em curtas notas oficiais, afirmou ter aberto. Também não se tem notícia de profissionais e médicos que tenham sido afastados de suas funções após as acusações.
 
Um dos casos que mais chamaram a atenção é o da morte da jovem Luara Prieto, de 25 anos. Ela morreu em janeiro depois de ter passado oito vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Os médicos disseram que ela estava com infecção urinária. Com o agravamento do quadro, Luara acabou internada na Santa Casa de Franca. Passou por duas operações e não resistiu. Os médicos que a atenderam disseram que a causa da morte foi a infecção, mas o laudo da autopsia feito por um perito do Instituto Médico Legal aponta uma hemorragia e ainda afirma que não havia sequer indícios de infecção.
 
Passados nove meses, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não apresentou um resultado oficial a respeito. Em entrevistas concedidas à época dos fatos, a responsável pela pasta Rosane Moscardini chegou a afirmar que a morte de Luara havia sido uma fatalidade. Médicos do Pronto-socorro que atenderam a jovem também disseram não haver erros.
 
Para o pai de Luara, Silson Ribeiro, a situação é um absurdo. “Não entendo como em nove meses eles ainda não conseguiram descobrir o que houve com a minha filha. Ela faria aniversário agora dia 21 de outubro. Achei que pelo menos uma resposta eu teria, mas nem isso eles me dão.”
 
Silson disse que tem cobrado as autoridades, mas sem resultado. “Sabe o que mais me assusta? É que as mortes continuam. Minha filha morreu em janeiro e de lá para cá outras famílias viveram essa mesma tragédia sem que nada seja feito. Até quando será assim?”.
 
Depois da morte de Luara, outras sete pessoas faleceram em circunstâncias parecidas (veja quadro nesta página). O caso mais recente aconteceu há uma semana. O ajudante Renato Rodrigues de Oliveira, de 36 anos, passou quase duas semanas indo e vindo do Pronto-socorro, com pedidos constantes de internação negados na Santa Casa. No último dia 18, ele não resistiu e morreu. Estava com meningite.
 
Mais uma vez, a secretária municipal de Saúde e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura foram procuradas pelo Comércio para comentar o caso de Renato de Oliveira e também o andamento das sindicâncias e a demora na conclusão dos trabalhos, mas, novamente, não responderam aos questionamentos feitos pela reportagem.
 

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