Máquinas paradas, insumos ensacados e solo sem a umidade necessária para o plantio e a boa produção. Esse é o cenário de muitas propriedades rurais de Franca e região. Após um longo período de estiagem, a chuva finalmente começou a cair, mas ainda não é suficiente para melhorar a situação dos agricultores que continuam preocupados e desanimados a ponto de cogitarem até desistir de plantar. Os prejuízos estão por toda parte e atingem desde produtores de café, milho, cana-de-açúcar e hortifrutis até a mesa do consumidor.
Este ano, é provável que a renovação das lavouras de café se sobressaia a novas plantações do grão. Sem a quantidade de chuva necessária, a produção foi inferior à esperada e o prejuízo para os próximos anos também é garantido. “Creio que a produção de café na nossa região no próximo ano não chegue a 30% do que foi produzido este ano. Está tendo muita renovação, ou seja, podas e reformas das lavouras que estavam improdutivas e muito estragadas devido a seca. Portanto, os produtores não vão plantar novas áreas e sim reformar as que já têm”, disse o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Ely Brentini.
Entre os preocupados há também produtores otimistas e ainda aqueles que podem ter um prejuízo ainda maior se não efetuarem o plantio. Mudas foram formadas e devem ser plantadas, mas em quantidades menores do que o habitual. “Não tem jeito de plantar agora porque não tem chuva suficiente e não serão muitos que irão plantar depois da seca porque vão faltar mudas. Planto todo ano na faixa de 120 mil a 150 mil mudas. Este ano fiz poucas e vou plantar só 60 mil. Vai acontecer isto de um modo geral”, disse o produtor rural de Ibiraci (MG) João Miarelli.
Milho
À espera de um bom volume de chuva é possível encontrar diversos hectares de terra preparados em Patrocínio Paulista para o plantio do milho. De acordo com o produtor rural e presidente do Sindicato Rural da cidade, Irineu de Andrade Monteiro, a semeadura está atrasada e deve prejudicar o plantio da safrinha, que geralmente ocorre em fevereiro.
“Esta é uma época em que os produtores têm que plantar o milho para fazer a silagem, que é trato dos animais na seca, mas ela está atrasada. Desta forma a safrinha também está prejudicada. O pessoal está na expectativa de que chova mais para plantar porque é necessário uma terra bem úmida. Hoje em dia não dá para arriscar porque os insumos e a mão de obra são muito caros.”
Segundo o presidente, a chuva da semana passada pode ter animado alguns produtores, mas outros continuam cautelosos. “Alguns poucos se entusiasmam, mas outros aconselham a esperar mais porque choveu pouco em vista do que precisamos para umidificar bem a terra. Estamos sim preocupados e desanimados.”
Cana
Os canaviais também foram prejudicados com a seca. Com as incertezas na produção, volume de chuvas e preços no mercado, o produtor deve reduzir os gastos e evitar grandes financiamentos. “Começa a colher cana em abril. Assim que colhe vem uma brotação extraordinária que este ano foi prejudicada pela seca. É uma fase crítica”, disse Andrade Monteiro.
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