Para explicar que fatores contribuíram para o aumento da expectativa de vida e que hábitos podem contribuir para a longevidade, o Comércio entrevistou o médico geriatra e nefrologista Paulo Silva Santos. O especialista é membro do conselho administrativo e do corpo clínico do Hospital e Maternidade Regional de Franca.
A população do Brasil tem vivido mais e o número de idosos em Franca aumentou nos últimos cinco anos. Que fatores podem explicar esse aumento da expectativa de vida?
Melhoria nas condições de saúde; medicamentos gratuitos para doenças que acometem o idoso, tais como diabetes e hipertensão; estruturação de serviços de atendimentos médicos específicos para a terceira idade - Centros de convivência de idosos; acesso a saneamento básico; melhoria das condições econômicas da população, permitindo acesso a alimentos básicos e essenciais são alguns dos principais fatores que contribuíram para aumentar a expectativa de vida.
Com que idade a pessoa deve começar a se preocupar com a chegada da terceira idade?
Quanto mais cedo melhor, para que possa ser estruturado hábito de vida saudável, evitando situações como tabagismo, etilismo não social, sedentarismo, obesidade, prevenção e tratamento adequado de eventuais doenças.
E que hábitos devem ser adquiridos ou reforçados?
A atividade física deve ser regular - cinco vezes por semana - e deve ser iniciada após avaliação médica (cardiológica ou geriátrica) para pacientes idosos. Também é preciso que a atividade seja feita com calçados adequados e com refeição leve antecedendo o exercício. Outro ponto importante é desenvolver o hábito de aprender coisas novas, leitura, palavras cruzadas e passatempo que envolvam atividades cognitivas. Deve-se ter ainda atenção ao surgimento de intolerância à lactose; manter uma hidratação adequada; evitar excessos de carboidratos e/ou gorduras.
A impressão que temos é que estamos envelhecendo mais tarde. Hoje em dia, uma pessoa de 60 anos é ainda muito ativa. Podemos creditar essa vitalidade tardia a que fatores?
Principalmente às melhorias na medicina com diagnósticos mais precoces e precisos; ao aumento e melhoria das opções terapêuticas e condições gerais de saúde e vida.
O que raramente se via nos consultórios geriátricos e que hoje aparece com maior frequência?
A perspectiva é aumentar a incidência de doenças neurodegenerativas com o aumento da expectativa de vida, como por exemplo o aumento de demências, doença de Parkinson, insuficiência renal, diabetes, hipertensão, etc. Houve diminuição da incidência de doenças infecto-contagiosas - como a doença de Chagas - decorrentes da melhoria das condições de moradia e de saúde.
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