Franca passa pelo mês de outubro, em que se comemora o Dia do Idoso (1º), com uma constatação: a cidade acompanha a tendência mundial e também envelhece. A população do município cresceu nos últimos cinco anos, mas, enquanto o número de jovens com menos de 15 anos reduziu, o de idosos acima dos 60 apresentou um ligeiro aumento. Em 2009, 22,66% dos 315.639 francanos representava a fatia infantil e juvenil da cidade. Hoje, com 328.640 habitantes, essa parcela da população representa 20,35% do todo. Na contramão desta queda estão as pessoas com mais de 60 anos que, em 2009, representavam 11,09% do todo e hoje denotam 12,88% - mais de 42,3 mil idosos.
A expectativa de vida no Brasil passou de 73,17 anos para 74,6 nesse mesmo período. Com mais tempo para viver, os mais velhos têm direcionado seus esforços para alcançar uma melhor qualidade de vida. Quem na juventude não se dedicou aos exercícios físicos, passou a incluir atividades dinâmicas em sua rotina semanal e até mesmo diária na busca por saúde e disposição.
Também na faixa etária acima dos 60 anos, nota-se que a maturidade é utilizada para descobrir dons ou mesmo despertar hobbies afogados por anos em meio à correria da juventude. “De segunda a sexta-feira, aproveito para fazer minhas aulas de dança, ioga, pintura e caminhadas”, contou a dona de casa aposentada Anizia Giolo Guimarães, de 76 anos.
Aos fins de semana, Anizia sai com as amigas para ir aos bailes da Velha Guarda, Coliseu e Castelinho. “Sempre tive uma vida ativa mas, para superar a perda do meu companheiro, com quem vivi 54 anos, há três anos preenchi todo o meu tempo com atividades”, disse ela, que listou sete viagens e passeios realizados só neste ano. “Vivo em excursões. Tudo isso me dá muito prazer e me faz ter novas amizades. A gente conhece muita gente.”
Mesmo com idade e condições para se aposentar, muitas pessoas acima dos 60 anos preferem não deixar de trabalhar. Esse é o caso de Narcisa Badoco Gomes, de 63 anos. Ela é aposentada mas gerencia ao lado da filha sua própria loja de roupas. “Trabalho das sete às sete da noite, mas sempre que preciso sair minha filha assume tudo. Dou minhas ‘escapadas’ para fazer exercícios físicos na AABB, minhas aulas de dança e costura.” De acordo com ela, a prática de exercícios físicos é uma novidade relativamente recente em sua vida. “Pratico, ao lado de meu marido, há cerca de três anos. Comecei pensando na saúde e acabei gostando. Desde que comecei, me sinto mais vaidosa; sinto meu corpo mais leve”, argumentou.
Integração
Assim como Anizia e Narcisa, cerca de outras 180 pessoas procuram o CCI (Centro de Convivência do Idoso) da Vosf (Voluntárias Sociais de Franca) a fim de usufruir das atividades ali oferecidas para essa população. A entidade, inclusive, vem se adaptando às necessidades atuais dos novos idosos. “Observamos que hoje em dia, eles buscam aceitar a modernidade de forma mais tranquila. Hoje em dia, enxergam a tecnologia como aliada e não uma separadora de gerações”, disse Geovana Cristina Souza, coordenadora do CCI administrado pela Vosf.
Com disposição, os idosos vão vencendo preconceitos e temores. Se entregam às viagens, danças, tecnologia e novos relacionamentos. “Eles estão eliminando a ‘reticência’ que tinham em relação a informática e aparelhos celulares. Tanto é que estamos implantando aulas de informática em nosso CCI. Antes de iniciarmos as atividades, já estamos com turma fechada.”
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