Um crime anunciado


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O que já se esperava aconteceu: a briga entre dois frequentadores do Centro POP (casa de acolhimento de moradores de rua implantada pela Prefeitura Municipal) culminou na morte de um deles. Embora o crime não tenha acontecido no interior da casa, ocorreu em plena luz do dia numa praça das proximidades onde os moradores de rua se agrupavam esperando o momento de entrar no local para se alimentar e dormir. Uma situação que já vinha se desenhando desde a inauguração do Centro POP por causa das inúmeras ocorrências policiais registradas lá, e da falta de contrapartida aos serviços oferecidos à população de rua.
 
Desde o início o Comércio vem alertando para a inadequação do modelo adotado pela Prefeitura. O acolhimento de indivíduos em situação de vulnerabilidade é necessário e deve ser exercitado pelo Poder Público, mas não se pode conceder um direito sem que deveres sejam cobrados. Além disso, há a necessidade de buscar a reinserção no mercado de trabalho desta população de rua. Apenas para o acolhimento Franca já conta com estabelecimentos próprios para este fim. Inclusive um deles, o Albergue Noturno ligado à Fundação Judas Iscariotes, foi fechado pela dificuldade financeira de seus mantenedores em prosseguir com o atendimento.
 
Antes de gastar o dinheiro do contribuinte, a Prefeitura poderia firmar um convênio com a fundação para a reativação do albergue, que funcionou em Franca por anos a fio, com bons serviços prestados, sem precisar alugar uma residência de alto padrão com custos excessivos. A falta de foco da administração municipal para com as boas práticas que devem nortear a gestão pública fica patente também aí. Em várias ocasiões a administração de Alexandre Ferreira (PSDB) deu provas do descompasso com a responsabilidade. Esta é mais uma delas.
 
Somente boas intenções não são capazes de resolver o grave problema da população que vive nas ruas. Requer planejamento, coordenação de várias secretarias municipais e, acima de tudo, uma grande dose de bom senso. Também neste caso, não basta dar o peixe: é preciso ensinar a pescar para que um problema social não cresça e descambe para uma questão de segurança pública. Embora o assassinato não tenha ocorrido nas dependências do Centro POP, certamente é um efeito de sua existência, num local nada propício e, pior, totalmente inadequado para a sua função.
 
A iniciativa, que se assemelha a uma jogada de marketing para tentar recuperar a imagem desgastada de Alexandre Ferreira, foi um verdadeiro tiro de canhão no pé. Não conseguiu e deixou vulneráveis vários bairros localizados nas proximidades do Centro POP. A situação chegou a um ponto que requer um novo posicionamento da Prefeitura quanto às finalidades da casa e à postura de seus responsáveis, que precisam traçar normas de conduta para os frequentadores, inclusive buscando auxílio para que eles tenham seus vícios — em bebidas e drogas — tratados. Caso contrário, vai ser impossível a sua reinserção na sociedade, como pretende a administração municipal.
 
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