O eleitorado do PSDB é silencioso. Não milita. Não grita. Não compartilha decisões. Vai e vota. É raro que mude. Calado, não estimula indecisos ou motiva quem se absteve de votar no primeiro turno, a que vá fazer diferença. Já o eleitorado de PT milita, grita, se mostra, conquista pela paixão com que se põe nas ruas, mas, aqueles que se convencem no primeiro momento, podem voltar atrás. A razão é simples: a memória humana registra movimentos, cores e sons muito mais que propostas, ideias e conceitos, mas convicção deriva de crença.
Base nessas premissas de gestual e na observação do perfil dos candidatos, penso que o crescimento registrado pela candidatura Dilma na última semana representa o convencimento dos indecisos ou ‘abstêmios’ (se é que os posso chamar assim) que impactaram nas pesquisas do Ibope e Datafolha esta semana. Porque podem mudar, a ciência estatística as aponta como altamente voláteis. Entendo, então, que Dilma e Aécio chegam à urna do segundo turno ainda tecnicamente empatados, como indicaram pesquisas anteriores dos institutos. Há um dado muito interessante: os que se abstiveram de votar no primeiro turno — 27.699.163 segundo o TSE — são, praticamente, a margem de erro das pesquisas (2% para mais ou para menos) — e podem decidir a eleição de amanhã. Claro, se forem votar.
Esses eleitores, frente à urna, recorrerão às suas lembranças dos problemas que os acometeram nos últimos anos, e não se lembrarão da gritaria das militâncias, da encenação marqueteira, do resultado da Copa da Mundo, ou das manifestações de 2013. Suas consciências os conduzirão a analisar a culpa que políticos tiveram no estabelecimento dos cenários de péssima saúde pública, insegurança, impunidade e corrupção que se abatem sobre o povo e o penaliza dia após dia. Aí, voltarão o pensamento para Aécio e Dilma, os candidatos a manterem ou mudarem estes cenários, e não gostarão do que vão se lembrar. Cedo ou tarde ambos estiveram muitos próximos dos facilitadores dessas desgraças que nos envergonham. Sempre em dúvida, optarão por um ou outro. Não será por crença, e isso é triste. O empate técnico é prova matemática disso. O ‘menos pior’, como diz o povo, vencerá. Também sem convicção, se dedicarão a observar o vencedor.
Há, nas ruas, um misto de rejeição e desconfiança em Dilma e Aécio, espelhos não optantes do perfil dos maus políticos que passam anos luz distantes da ética e moralidade e que definem o exercício político brasileiro.
Somos, ainda, um país muito jovem e estamos aprendendo. Temos o voto, mas não consciência de seu potencial transformador. Enquanto não aprendermos com duras lições, continuaremos meros espectadores dos projetos de poder dos que se divertem manipulando cordinhas que nos fazem ir por aqui e por ali, e não por lá, como seria de nossa livre escolha.
PODE. E DEVE. Perguntaram-me se quem não votou no primeiro turno, pode votar amanhã, para presidente. Pode, mesmo que ainda não tenha justificado a ausência ‘cometida’ dia 5 de outubro. Esteja munido do título de eleitor e documento com foto. Sua CNH de bom motorista, por exemplo.
NÃO FINANCIE PARTIDOS POLÍTICOS! A urna é uma das únicas oportunidades que ainda temos para fazer valer nossa vontade, mesmo que a gente erre! É burrice deixar de votar por que o sistema ‘obriga você a votar’. Não votar ‘para protestar contra partidos e políticos’ é besteira: a multa - R$ 3 - vai para os bolsos deles! Ainda assim, não vai porque isso é dinheiro ‘de m...’? Errou de novo. Os ‘protestantes’ que deixaram de votar nas eleições de 2010 ‘mandaram’ R$ 80 milhões aos cofres do Fundo Partidário! Então, pelo menos por inteligência, vá votar!
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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