Dispara número de ações por erro médico


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O número de famílias e pacientes vítimas de mau atendimento ou erro médico na rede pública de saúde que procura a Justiça para cobrar indenizações cresceu em 2014. Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, de janeiro a 20 de outubro deste ano, foram 13 processos abertos contra o município pedindo indenizações. Somados, os valores requeridos ultrapassam a casa dos R$ 3,7 milhões e abrangem, em sua maioria (sete processos), casos em que o paciente acabou morrendo. No mesmo período do ano passado, foram seis processos, que pediam ao todo R$ 416,8 mil, apenas um trata de paciente que morreu.
 
Morte do marido
A maior indenização é pedida pela promotora de vendas Karina Lopes Fagundes, de 35 anos. Ela era casada com o frentista Jean Carlos da Silva, que morreu no dia 31 de maio, depois de passar seis horas no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e ser liberado pelos médicos. 
 
Segundo Karina, os médicos que atenderam Jean disseram que ele tinha uma crise de ansiedade e o mandaram procurar um psicólogo. Um dia depois, quando se preparava para ir a uma consulta particular, porque ainda sentia dores no peito, Jean passou mal e desmaiou. Ele foi socorrido para a Santa Casa, onde já teria chegado morto. 
 
À época da morte, Karina estava grávida de cinco meses e ainda cuidava de outros dois filhos, de 12 e 6 anos. Para ela, os médicos erraram quando liberaram seu marido ainda com dores no peito, por isso ela pede uma indenização de quase R$ 1,1 milhão.
 
Morte do pai
Outro caso em que a família não se conforma com o atendimento recebido é o do aposentado João de Freitas Sobrinho, 87, que em maio de 2013 foi derrubado da maca por socorristas enquanto era colocado em uma ambulância que seguia para a Santa Casa, para tratamento de hemodiálise. Ele morreu depois de ficar esperando por um médico. A família pede uma indenização de R$ 362 mil. “Decidimos procurar a Justiça não por causa do dinheiro. Isso na verdade pouco importa. O que queremos mesmo é que a Prefeitura pare para analisar o que houve com o meu pai, que nos ouça e tome medidas para que não se repita”, disse Maria Conceição Freitas, filha de João.
 
Ela conta que, por diversas vezes, tentou contato com a Secretaria de Saúde para alertar sobre a forma que os pacientes são transportados. “Eles me ignoraram e olha o que aconteceu com meu pai. Foi muito descaso. Não podemos aceitar isso”.
 
Fratura 
O mesmo sentimento de indignação foi o que levou Jonas Regatieri a também procurar a Justiça. Em fevereiro, sua filha caiu na creche e foi levada ao Pronto-socorro Infantil. Lá, o médico que a atendeu não a examinou direito nem pediu exames. Disse que a menina “não tinha nada”. Como ela não parava de chorar por dias, os pais voltaram ao PS. Em um novo exame, foi identificada a fratura. “Procurei a Justiça porque minha filha sofreu com dores por cinco dias. O médico que a atendeu mal a examinou. Ele ainda continua trabalhando. Nada foi feito. Não podia deixar passar”, disse ele. Na Justiça, Jonas pede uma indenização de R$ 144,8 mil. “Quem sabe doendo no bolso eles (Prefeitura e médico) não resolvem atender melhor e com mais respeito as pessoas”. Os processos ainda não foram julgados.
 
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura foram procuradas para comentar o aumento nos processos judiciais e nos valores das indenizações, mas, até o fechamento desta edição, não haviam respondido ao email com os questionamentos. 
 
 

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