Campanha suja e sem propostas


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As pesquisas eleitorais divulgadas ontem apontam vitória da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) no pleito do próximo domingo, com uma vantagem considerável sobre o senador Aécio Neves(PSDB).O PT e seus aliados já comemoram os números e a hipotética vitória. Porém, se formos nos balizar pelos resultados do primeiro turno, quando as pesquisas erraram totalmente os índices (segundo elas, o tucano nem estaria no segundo turno), algumas até apontando uma possível reeleição da presidente já naquela etapa, é bom manter um pé atrás diante dos números. Os erros também contemplaram as amostragens para o governo de vários Estados, quando candidatos improváveis (pelas pesquisas) estão aí disputando o segundo turno.
 
Não queremos imaginar que estas sondagens de intenção de voto estejam sendo manipuladas, mas não há como entender que um número mínimo de eleitores pode representar um universo de milhões. Ainda mais quando se sabe que o brasileiro não vota em partidos ou ideologias, ao contrário de outras democracias, como a dos Estados Unidos, onde os dois partidos (Democrata e Republicano) têm militantes, simpatizantes e defensores que influem no voto final. Aqui, não: vota-se em pessoas, simpatias e, por que não dizer, em benefícios. Não se pode dizer que o Bolsa Família não influi no resultado final. Influi sim, daí o grande índice de aceitação de Dilma nas regiões Norte e Nordeste, onde o programa oficial de transferência de renda tem o maior número de beneficiários.
 
Porém, uma vitória de Dilma Rousseff, caso os números das pesquisas se confirmem no domingo, vai coroar uma campanha eleitoral recheada de baixarias, ataques pessoais e estratagemas sórdidos capazes de assustar qualquer pessoa bem intencionada e que trilha a estrada da honestidade. Usando um batalhão de militantes, pagos ou não, a campanha oficial tratou de ‘desconstruir’ Marina Silva (PSB) no primeiro turno e assestou todas as suas baterias contra Aécio no segundo. Foi uma campanha marcada por ataques pessoais, abaixo da linha da cintura, e onde as propostas ficaram em segundo plano.
 
A propaganda eleitoral do PT na TV e no rádio serviu para o maior festival de baixarias jamais visto. Números foram escamoteados, dados ruins do governo escondidos e ofensas de todo tipo proferidas -- em maior número nos comícios. Aécio Neves não ficou atrás. Bateu duro e respondeu aos ataques, ao contrário de Marina Silva que adotou a postura de vítima, o que lhe custou a vaga no segundo turno. A situação poderia sair do controle e precisou da intervenção do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que se colocasse um ponto final nas ofensas. Mas o estrago já estava feito. Uma possível vitória de Dilma Rousseff seria a culminância das ações mais baixas que já se viram numa campanha eleitoral brasileira. Até os próprios aliados da presidente-candidata, com certeza, poderão ter vergonha de comemorar. Caso contrário, estarão passando o recibo de que concordam com as baixezas e vilanias cometidas nas últimas semanas. Tudo para se ganhar a eleição. Tudo para permanecer no poder. Tudo para não virar oposição. 
 
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