Aos problemas enfrentados pela saúde pública em Franca, envolvendo Pronto-socorro, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e Santa Casa, soma-se mais um: o encontro de um feto feminino e outros materiais hospitalares e restos de tecido e órgãos humanos no aterro de materiais inertes em Patrocínio Paulista, conforme o Comércio divulgou ontem. O feto (com cerca de cinco meses), que estava em um pote de plástico, foi encontrado por um garoto de 10 anos, o qual imaginou tratar-se de um brinquedo. Levou o pote para casa, deixando seus familiares alarmados. Chamada, a polícia encontrou os demais materiais.
Trata-se de um encontro, além de macabro, extremamente perigoso para a saúde humana. O garoto que achou o feto visita o aterro pelo menos uma vez por semana para coletar materiais recicláveis, cuja venda ajuda no orçamento familiar. Além dele, outras pessoas podem utilizar o mesmo expediente, expondo-se a riscos graves por causa do descarte de materiais hospitalares no local. No rol do que a polícia encontrou estavam pedaços de mamas femininas, pele, resíduos de potes para exames de fezes, próteses mamárias de silicone, cateteres, bolsas de soro e vidros de remédios, todos com a identificação da Santa Casa de Franca. Em alguns, etiquetas traziam o nome do paciente do qual o material foi retirado, o médico solicitante e a data (2012).
A partir de agora, a polícia inicia investigação para chegar ao responsável pelo descarte, considerado irregular, já que este tipo de material precisa ser coletado com cuidado e ter destinação diversa do lixo normal: na maioria das vezes, é incinerado. O feto, por outro lado, deveria ter sido sepultado (ou então destinado a faculdades de Medicina), assim como restos de tecido humano. Procurada, a Santa Casa de Franca divulgou nota dizendo que os nomes das pacientes encontrados nos materiais não constam da base de dados de atendimento de seu sistema. Informou ainda que, em 2012, ano que consta das etiquetas, seu Laboratório de Patologia prestava serviços à Santa Casa de Patrocínio. Esta, por seu turno, diz que deve apurar se o material realmente pertence ao hospital.
A partir de agora, cabe à polícia apurar as responsabilidades sobre estas irregularidades, que não configuram crime, mas precisam ser devidamente esclarecidas. A população de Patrocínio Paulista merece explicações, ainda mais quando não se conhecem os perigos a que ficou exposta. Em Franca, há o precedente divulgado pelo Comércio (com fotos e vídeos captados pelo jornalista Corrêa Neves Júnior e divulgados pelo portal GCN), no ano passado, quando lixo hospitalar da Santa Casa era tratado sem qualquer cuidado, culminando em caso de polícia. O que não se pode admitir é deixar o assunto cair no esquecimento. Trata-se de uma situação grave e as investigações não podem se arrastar, como se arrasta a apuração sobre as oito mortes suspeitas que Franca registra desde o ano passado.
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