Senador sem votos


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José Serra (PSDB) recebeu 11,1 milhões de votos para o Senado dia 5. Isso mesmo: 11,1 milhões. Antônio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, veio logo atrás com 5,1 milhões. O ex-jogador de futebol Romário (PSB) levou 4,6 milhões no Rio de Janeiro. Álvaro Dias (PSDB), do Paraná, somou 4,1 milhões. Airton Sandoval (PMDB), de Franca, não teve nenhum votinho para contar história. Nem candidato era. Nas últimas vezes que disputou um cargo público, foi reprovado pelas urnas. Mas, se Aécio Neves (PSDB) for eleito presidente no domingo, Airton também se tornará senador e dividirá o mesmo espaço com os campeões de votos citados acima. Sim, da Prefeitura de Franca para Brasília. O veterano político é ruim de voto, mas não pode reclamar da sorte. É a prova viva de que o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.
 
Ex-deputado federal por cinco mandatos, o veterano Airton viu sua carreira política começar a desabar em 1994, quando não conseguiu a reeleição. Tentou ser prefeito dois anos depois. Foi o último colocado com 4 mil votos. Com a pífia votação, perdeu, inclusive, para os votos brancos e nulos. A última tentativa foi em 2002, quando saiu para estadual e conquistou apenas 3,9 mil votos em Franca. No total, foram 11,8 mil.
 
A aposentadoria política que parecia ser o caminho natural começou a mudar em 2010. Azar de Orestes Quércia, sorte dele. O ex-governador, que morreria dias depois, se afastou da disputa pelo Senado para se tratar de um câncer na próstata e passou a apoiar Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Em troca do apoio, Quércia emplacou Airton, com quem teve relação próxima por 40 anos, como primeiro suplente de Aloysio. Pela lei atual, cada senador tem dois desconhecidos suplentes, que não recebem sequer um único voto. Aloysio recebeu 11 milhões de voto e foi eleito senador. O raio trazendo a sorte para Airton caia pela primeira vez. Quatro anos se passaram. Nas convenções de junho, Aloysio foi escolhido para ser o vice na chapa de Aécio Neves. Mesmo sendo do PMDB, dono da atual cadeira de vice, com Michel Temer, Airton está batendo bumbo, fazendo propaganda e rezando para dar PSDB domingo. 
 
Não porque ele morra de amores pelos tucanos. É que, se Aécio ganhar as eleições, Aloysio terá de renunciar à cadeira no Senado. Isso acontecendo, mesmo não tendo culpa nenhuma, ele herdará a vaga. Mas, para isso, primeiro é preciso combinar com os eleitores de Dilma Rousseff (PT).
 
Boquinha na Prefeitura: Airton Sandoval era um dos pré-candidatos do PMDB à Prefeitura em 2010. Ao ver que suas chances eram remotas, abriu mão em favor de Alexandre Ferreira (PSDB) e o partido indicou o vice, Fernando Baldochi. Em troca do apoio, ganhou um cargo comissionado no gabinete.
 
Time expulso: Em time que está ganhando não se mexe. A expressão é famosa no mundo do futebol. Mas, também pode ser aplicada na política. Gilson de Souza (DEM) que o diga. O deputado, que não conseguiu a reeleição, se reuniu com os assessores e deu o aviso prévio. Mesmo tendo mandato até 14 março - a posse dos eleitos acontece dia 15 - a equipe deverá ser desligada já.
 
Fio de esperança: Nas eleições para deputado em 2002, Gilson foi o único eleito por Franca. Roberto Engler (PSDB), que acaba de receber 122 mil votos, ficou na suplência por causa de míseros 111 votos. Ele conseguiu uma cadeira logo depois.
 
Visita: O presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, reeleito para deputado federal, estará hoje na sede do GCN.
 
Recordista: Alexandre Ferreira recebeu vaias em recente jogo de basquete no Póli. Domingo, se superou e conseguiu ser vaiado durante sorteio de casas no Lanchão.
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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