Não dá mais pra enganar. Até o FMI sabe da paupérrima condição da economia brasileira. Na reunião anual do Fundo, realizada em outubro em Washington, ficou claro que nossa economia tem doença grave — estagnação. Os sintomas mais proeminentes são o reduzido investimento, problemas na infra-estrutura, baixo nível de competitividade, devido à ausência de inovações, principalmente na indústria; e o mais grave de todos, a inflação, que ultrapassou o limite de tolerância da meta (o IPCA mostrou nos últimos doze meses um aumento de 6,75%). Esta, as donas de casa francanas e brasileiras conhecem bem, sobretudo quando vão ao supermercado.
Poderíamos ampliar o histórico da enfermidade incluindo a pequena geração de emprego, a inexistência de sinais de desenvolvimento tecnológico e inovações. O panorama fica quase completo, e com a assinatura do FMI.
Tudo isso configura quadro trágico para o Brasil de agora e o dos próximos anos. A palavra de ordem, nesse caso, é reconstrução, e em todos os setores da economia. Tomemos, a exemplo, a inflação. O governo insiste que está sob controle, mesmo ultrapassando o limite da meta. Caso fosse verdade, não haveria necessidade do Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda receitar, como medida anti-inflacionária, a lição de Maria Antonieta, esposa de Luiz XVI: ‘não comam carne, comam aves e ovos’.
O alerta do FMI alcançou outros países, além do Brasil. Esses, os emergentes, têm pela proa problemas semelhantes mas estão procurando meios de safar-se, como a Rússia, a Índia, até a China. Mesmo os Estados Unidos, país desenvolvido, epicentro da crise de 2007/2008, lutam seriamente para reerguer a economia. Nós, o que devemos fazer? Simples: precisamos ter coragem, vontade política e ousadia para reformular, reformar e modernizar nossa economia.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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