A campanha eleitoral deste ano deixou mais evidente ainda o uso, de forma sórdida, maléfica e irresponsável de um instrumento indispensável nos dias de hoje: a Internet. A rede mundial de computadores, pensada e criada como ferramenta auxiliar para o ensino e o conhecimento, hoje se tornou veículo propício para disseminar boatos, mentiras e destruir reputações. Já tivemos notícias de tragédias envolvendo postagens maldosas nas chamadas redes sociais - houve jovem que se suicidou por causa de um vídeo íntimo disseminado pela rede -, como Facebook, Twitter e Instagram, entre outras que surgem com uma velocidade impressionante.
Capaz de reter informações num volume impensável três décadas atrás, a Internet também tem milhões de páginas pornográficas, a maioria delas aberta a menores, outro tanto de conteúdo duvidoso, as quais tentam desvirtuar os fatos históricos, na tentativa de beneficiar grupos específicos, além das voltadas às teorias da conspiração, tentando provar que o homem não foi à Lua ou que não houve o extermínio de judeus pelo regime de Hitler na Alemanha, durante a II Guerra Mundial. Com o advento das redes sociais, veem-se diariamente notícias falsas, textos apócrifos e montagens fotográficas, algumas delas grosseiras, mas que acabam encontrando quem acredite nelas.
Nestas eleições, a disseminação de mentiras, boatos e montagens tornou-se monstruosa, a ponto de levar eleitores a acreditarem nelas. A manipulação de dados e divulgação de vídeos e áudios editados passaram a dominar as postagens, com a criação de páginas de apoio à campanha eleitoral dos dois candidatos que agora disputam o segundo turno. Embora a maioria do que é divulgado seja irreal, uma deslavada mentira, os posts são replicados e comentados como se fossem a mais absoluta verdade. É uma situação bastante triste, quando se tenta mascarar a realidade e tentar uma vitória eleitoral.
O problema mais sério é que não há como bloquear ou impedir que essa disseminação criminosa continue. A legislação eleitoral também não ajuda, permitindo este tipo de propaganda enganosa. Páginas criadas em rede social por quem não é ligado às campanhas oficiais podem realizar postagens normalmente. E por isso a baixaria que se vê na propaganda eleitoral gratuita parece conto de fada diante do que se alastra pela Internet. Ao eleitor desavisado e desinformado, tornam-se verdade.
Enquanto a legislação não proteger o internauta brasileiro, seja eleitor ou não, deste festival de notícias sem qualquer comprovação ou de textos sem autor identificado, a Internet continuará como veículo de propagação para pessoas desonestas, às quais só interessa o boato, o achincalhe e a maldade. Não apenas quem acessa a web e as redes ficará à mercê de postagens falsas e mentirosas. Inocentes ainda podem ser atingidos, vendo divulgadas imagens e informações que, caindo na rede, são devastadoras para a reputação. Só quando a legislação puder criminalizar este tipo de ação é que poderemos voltar a acessar a Internet sem medo.
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