O corpo de um feto feminino de aproximadamente cinco meses de gestação foi encontrado junto a outros materiais hospitalares e restos de tecidos e órgãos humanos no aterro de materiais inertes de Patrocínio Paulista. A polícia abriu inquérito para apurar se houve crime.
O corpo e os materiais foram encontrados por um menino de 10 anos que mora nas proximidades do aterro. Segundo a mãe do garoto, Elisângela Silva Soares, 38, a criança saiu por volta das 10 horas dessa terça-feira para buscar materiais recicláveis no aterro. “Toda terça ele faz isso. É o melhor dia, porque colocam lá o lixo do fim de semana. Hoje (ontem), ele foi e não demorou muito para voltar. Levamos um susto quando ele nos mostrou o que tinha encontrado.”
O menino achou o feto do sexo feminino dentro de um pote plástico com a etiqueta do Laboratório de Patologia da Santa Casa de Franca e pensou que fosse de brinquedo. Recolheu e o levou para casa para mostrar para as irmãs. “Eu fiquei apavorada quando ele me mostrou. Era um bebê morto que ainda estava com a pinça no cordão umbilical. Comecei a gritar na hora”, disse a irmã Gleicielly Soares, de 18 anos, que está grávida. Com o choro e os gritos, os vizinhos se aproximaram. “Decidimos chamar a polícia”, contou a mãe.
A viatura chegou por volta das 11 horas. Os policiais vistoriaram o aterro, onde mais materiais e resíduos hospitalares foram encontrados. Entre eles, pedaços de mamas femininas, pele, resíduos de potes para exames de fezes, próteses mamárias de silicone, cateteres, bolsas de soro e vidros de remédios. Todos com a identificação da Santa Casa de Franca. Em alguns materiais, as etiquetas traziam ainda o nome do paciente do qual o material foi retirado, o médico solicitante e a data (2012).
O material foi recolhido e levado para delegacia de Patrocínio. Lá, o caso foi registrado como outros feitos não criminais. Os resíduos e o feto foram encaminhados ao Instituto Médico Legal para exames.
O delegado Marcelo Rodrigues não quis dar entrevista. Mas os policiais que atenderam a ocorrência acreditam que se trata de um caso de descarte irregular de resíduos.
No aterro, não há qualquer vigilância ou controle de quem entra ou sai, sequer há muros ou cercas. Segundo a Prefeitura de Patrocínio, o local é usado como depósito de entulhos por conta de uma voçoroca.
A Santa Casa de Franca foi procurada para comentar o assunto. Em nota, o hospital informou que os nomes das pacientes encontrados nos materiais não constam da base de dados de atendimento de seu sistema. “Em nenhum momento o Laboratório de Patologia da Santa Casa de Franca teve contato com os materiais das pacientes citadas na reportagem veiculada, e os nomes destas não constam em nossos registros e arquivos.”
Também informou que, em 2012, ano que consta das etiquetas, seu Laboratório de Patologia prestava serviços à Santa Casa de Patrocínio. “A Santa Casa de Franca mantinha contrato de prestação de serviços com a Santa Casa de Patrocínio Paulista, rescindido em março de 2012”, diz a nota.
A Santa Casa de Patrocínio também foi procurada para comentar o caso. No início da noite, o gerente administrativo do hospital, Geter Ferreira, disse que deve apurar se o material realmente pertence ao hospital. “Estou fora da Santa Casa e não tenho acesso ao sistema agora. Mas vamos investigar. O que posso afirmar é que um dos médicos realmente faz parte do nosso corpo clínico como ginecologista.”
Sobre o tratamento dado ao lixo hospitalar, ele informou que o hospital mantém um convênio com a Prefeitura para que todo o material seja recolhido e processado por uma empresa particular. “Não sei o que houve. Ainda não fomos notificados a respeito, mas vamos apurar.”
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