Em 2013, o senador Paraguaio Victor Bogado foi acusado de contratar Gabriela Quintana como babá, recebendo salário mensal equivalente a R$ 8.200. Metade do valor saía da folha de pagamentos do Legislativo e metade do caixa da Itaipu Binacional, cujo controle é partilhado entre as empresas estatais de energia Eletrobras e Andes. Gabriela passou a ser conhecida como a “babá de ouro”. Quando o MP decidiu processá-lo, 23 de seus 45 colegas votaram contra a retirada da imunidade parlamentar. A reação popular foi ótima: ostracismo social.
Empresas publicaram anúncios pedindo a renúncia dos 23 que confundiam imunidade com impunidade. Cartazes com seus nomes foram afixados em postos de gasolina, shopping centers e cinemas. As senadoras Blanca Fonseca e Zulma Gómez foram impedidas de entrar em restaurantes e o senador Óscar Daher foi expulso de uma pizzaria aos gritos de “fora ladrão”. Até táxis aderiram!
A pressão foi tanta que os senadores voltaram atrás. Viu que genial? “Ostracismo social”, sem botar fogo em ônibus, sair na porrada com a polícia, invadir prédios públicos.... apenas a reação legítima da sociedade. Contei essa história em palestra e a reação já era esperada: ‘No Brasil, não dá certo. Ninguém vai se importar.” No país do “jeitinho”, onde é normal, esperado e tolerado que pessoas eleitas as “otoridades” metam a mão no dinheiro público, parece que estamos inertes, reféns do conformismo. Quando alguma reação aparece, é contra entidades inimputáveis, o capitalismo, o imperialismo, a injustiça, alguns maus que nunca têm nome nem rosto. Não funciona. Se queremos botar ordem na bagunça, temos que apontar os responsáveis, dizer seus nomes em voz alta, chamá-los pelo que são de verdade: ladrões, oportunistas, aproveitadores, desonestos. Ostracismo social é o nome do jogo.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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