A inexistência de medidas efetivas para reduzir a violência nos estádios de futebol — e também fora deles —, sempre envolvendo o antagonismo violento de torcidas rivais, volta a causar tristeza em lugar de alegrias. O congraçamento dá lugar a embates violentos. De acordo com o noticiário de ontem, cinco torcedores do Palmeiras envolvidos em briga com santistas, na Via Anchieta, domingo, foram transferidos para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de São Bernardo do Campo. No confronto, Leonardo da Mata Santos morreu ao ser atropelado no local. Mais dois palmeirenses estão internados em estado grave e ainda correm o risco de morrer.
A estupidez da ocorrência começou com a convocação, por membros da facção Mancha Verde (um grupo que não pode ser considerado torcida organizada e sim bando de criminosos), para que se fizesse uma emboscada a ônibus de torcedores do Santos que seguiam da cidade do litoral para o jogo de domingo, no Pacaembu, entre Palmeiras e Santos . Um dos veículos foi atingido por pedradas e a pancadaria se deu quando os torcedores do Santos toparam o confronto. O resultado, todo mundo já sabe: um morto, dois feridos graves e cinco torcedores presos. Informações dão conta de que atos violentos de torcida também aconteceram na vitória do Atlético Paranaense contra o Flamengo, na Arena da Baixada, em Curitiba, na mesma rodada.
O que não se entende é a imobilidade que toma conta de nossas autoridades, CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Federações estaduais e clubes de futebol. Em países como a Inglaterra o fim da violência só foi possível com medidas bastante duras contra os baderneiros, os chamados “hooligans”, cuja ação deixou um rastro de morte e destruição em estádios de toda a Europa. Prisões, julgamentos e penas severas foram capazes de mudar radicalmente a situação por lá. Mas aqui no Brasil, as ações do Ministério Público contra as torcidas organizadas perderam força, por falta de instrumentos mais eficazes contra este tipo de violência.
O governo federal prometeu adotar uma série de medidas mas tudo ficou apenas no papel e não mais se falou disso. Estas facções travestidas de torcidas organizadas contam com o apoio dos clubes, recebem ajuda para se deslocar e ingressos de cortesia para os jogos de seu time. Trata-se de uma relação espúria e perniciosa, a qual permite a perpetuação desta violência envolvendo o futebol, que há muito deixou de ser uma diversão familiar e passou a abrigar verdadeiros marginais sob o manto de torcedores.
Os efeitos colaterais, que levam o futebol dos cadernos de esportes para as páginas policiais, são muitos. Além dos mortos e feridos, a frequência nos jogos cai a cada ano, pois a torcida se afasta das praças esportivas. Antes diversão familiar, hoje um jogo vira palco de demonstrações constantes de violência. Se nada for feito para resolver de vez esta questão, o futebol brasileiro vai continuar sofrendo por falta de público, correndo um sério risco de se extinguir por ausência de espectadores, reduzindo bastante as receitas dos clubes que não conseguirão se bancar.
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