Um homem saudável passa pelo pronto-socorro municipal durante uma semana reclamando de fortes dores na cabeça e febre alta. Segundo relato de familiares, por oito vezes, o pedido de internação na Santa Casa de Franca é negado. Só após o pagamento de uma consulta particular, finalmente, ele é hospitalizado. Mas, já era tarde. A situação havia se agravado. O ajudante de ferro velho Renato Rodrigues de Oliveira, 36, não resistiu e morreu. Ele estava com meningite. A falta de explicações por parte dos envolvidos em mais uma morte suspeita persiste.
“Se não tivessem demorado tanto para interná-lo, acredito que ele estaria vivo”, disse Priscila Cristal Eugênio, viúva de Renato, que deixou um filho de 9 e uma menina de 7 anos.
Renato morreu sábado de madrugada após passar dez dias na UTI. Até o fim da tarde de ontem, a mulher dele não havia recebido nenhum telefonema de alguém da Santa Casa ou da Prefeitura para dar alguma satisfação sobre a demora no atendimento. “O descaso com a gente é muito grande.”
O Comércio questionou a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e a Santa Casa por que o pedido de internação só foi aceito após a família pagar uma consulta particular. Se limitaram a divulgar uma nota por escrito sem esclarecer as dúvidas.
A Prefeitura admitiu que Renato foi atendido dia 3 na UBS do Aeroporto e, depois, nos dias 4, 5 e 7 no PS. “Não há diagnóstico da causa mortis, mas em havendo, o sigilo impede a sua divulgação. Está sendo apurado se houve eventual falha na conduta médica ou comunicação do caso.” Do atestado de óbito, consta que a causa da morte foi meningite.
A Santa Casa informou que Renato foi internado dia 7 com diagnóstico de “febre e cefaleia a esclarecer”, mas com resultados de exames laboratoriais sem alterações. A meningite viral foi constatada dia 10. “O paciente teve uma piora do estado geral e foi encaminhado para a UTI, onde recebeu todo o tratamento necessário. O prontuário do mesmo está sendo avaliado pela Comissão de Revisão de Óbitos desta Instituição, que emitirá parecer logo que possível”, informa a nota.
A morte de Renato foi a oitava por suposta negligência ou erro médico na saúde pública de Franca nos últimos 11 meses.
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