Sem saída


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Em se falando de religião, a etimologia do termo latino religio não tem consenso entre linguistas, mas é antiga a aceitação de que tem raízes em religare, remetendo religião ao significado de ‘religação da criatura com o seu criador’. 
 
Convenientemente acomodada nos conceitos espíritas, religião é a prática das virtudes que se tornou suficientemente clarificada nos ensinamentos do Mestre Jesus, síntese dos preceitos morais imprescindíveis à interrelação dos homens, enquanto cumprem os desígnios evolutivos, certos do reino divino, que reconhecem nas implacáveis expressões das leis da Natureza universal, cuja consciência nos impõe desconsiderar ritualismos e simbolismos que atenderiam apenas à superficialidade de cultos exteriores. 
 
Religião é a relação humana presidida pelo senso moral. N’O Evangelho segundo o Espiritismo, base religiosa da doutrina, Allan Kardec assevera que ‘conhece-se o verdadeiro espírita — cristão — por sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações’, independentemente de frequentar um ‘Centro’. 
 
Esclarecer-se, contudo, quanto à realidade das leis divinas, disso, obviamente, o adepto do Espiritismo não se dispensa, como não se deveria dispensar todo aquele que se afirma disposto a religar-se a seu Criador. ‘Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará’. É sob constantes golpes da Verdade que enobrecemos os sentimentos. 
 
Estas considerações têm sua razão de ser em artigo de Luiz Felipe Pondé (caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S. Paulo, de 25.08.14), para quem religião não é vista como saída e o ‘kardecismo’ é ‘meio sem graça’, chegando a sugerir preferência aos cultos afro-brasileiros por mais coloridos e interessantes. 
 
Mas, não nos iludamos. Se religião é dispensável na transformação dos ciosos de que carregam a Lei de Deus na própria consciência, é, contudo, interessante e indispensável motivação evolutiva. 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 
 

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