Obcecados, aparvalhados


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Passei esta semana debatendo com atentos leitores sobre a afirmação de encerramento de minha coluna de sábado passado — o humano trocou os valores-virtudes de outras épocas (família, escola e espiritualidade), pelas ‘virtudes de hoje’ (ruas, redes sociais, amizades boas ou não tão boas, se bem que isso não faz diferença). 
 
Em síntese, o que restou destes debates, amedronta: jovens e adolescentes de hoje prescindem do abraço, do sentido de pertencimento humano, do toque de pele, do olho no olho, do arrepio de saber-se humano para se afirmarem com ‘mais um’ da grande rede, sem nome, mero ‘curtidor’ dos ‘bafões’ que daqui a pouco serão esquecidos e substituídos pelo bombástico ‘bafão novo’. 
 
A posse de informação relevante que define quem lidera, deixou de ser essencial à grande massa que se iguala por baixo nas redes sociais. Claro que há exceções, mas é quase traço percentual. Ter propriedade sobre uma massa que só segue, não questiona, não aporrinha, não pensa com a própria cabeça, atraiu o poderoso Facebook à compra do Whatsapp pela bagatela de US$ 16 bilhões! Quem já tinha boa parte do mundo em seus arquivos, agora ampliou muito a possibilidade de manipular imensa massa humana (450 milhões de usuários) cega, surda e muda à realidade, mas propensa a direcionar bilhões em dinheiro a um mero comando. É triste observar que a cada dia perdemos mais o livre arbítrio e nos tornamos gado negocial. 
 
É muito pouco viver só para curtir ‘bafões’ 24 horas por dia — as pessoas estão dormindo cada vez menos para permanecerem mais tempo nas redes sociais — ao invés de, como ser pensante, participar das grandes discussões da vida em comunidade. 
 
Hoje já prosperam clínicas de desintoxicação cibernética, para ‘tentar’ curar síndromes em tudo igual a de drogaditos afastados de drogas pesadas. Ficar sem o celular — sem as redes, em última instância — pode levar alguns à loucura. As redes socais prometem e dão, ao indivíduo, prazer e alegria. Pode ser iletrado, mas é aceito como um igual pelos outros, também despersonalizados de essência humana. 
 
Melhor que tudo, para que dirige, é ter certeza que o indivíduo, frente a ‘tanto’, não compreende que continua sendo nada. Melhor negócio não existe. 
 
Redes sociais aprisionam a inteligência. Experimente postar algo sobre a eleição a presidente da República que acontece no próximo domingo. Pode apostar. Suas ‘curtidas’ cairão. Você será considerado um chato, alguém milhares de anos defasado, indivíduo que tem que ser sacado da comunidade que está, isto sim, curtindo a troca de tapas entre os sertanejos Gian e Giovani. Insista e comente sobre o trânsito que matou mais um esta semana, que isso precisa ser discutido. Garanto-lhe que vão relegar você ao canto. Estão todos aplaudindo a ‘coragem do amigo’ que lavou o carro na rua e afirmou, na rede, que ‘quer que se f... quem é contra porque quem paga a água ‘que jogo fora sou eu. Também quero que meu vizinho, que ficou sem água, se f...’. 
 
Estes vieses comportamentais explicitam, definitivamente, o fim dos valores morais e ético, aqueles que, em outras épocas famílias passavam aos filhos. A ‘família moderna’ faz sexo gostosamente e, havendo sequela — ‘que m..., um filho!’ — tão logo nasça (quando nasce!) entrega à creche ou abandona na rua. Se mais jovenzinho, dá dinheiro para que ‘resolva seus problemas’, ou ‘erre lá fora, bem longe, para aprender’. Esses, de olhos obcecados nas telas de celulares, tablets e computadores observando e ‘curtindo’ o que lhes impõem; mentes aparvalhadas e incapazes de decidir suas próprias vidas, vão, em alguns anos, ‘operar’ o Brasil. Como dizem, ‘que tudo o mais se f...!!!’
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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