Não há inocentes


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O povo sabe o que é certo e errado e tem noção do que é ético e moralmente adequado, embora viva na corrupção e malandragem. Pesquisa Datafolha de 2009 revelou que 94% acham errado oferecer propina e vender voto; que 13% dos ouvidos (maiores de 16 anos) já trocaram voto por emprego, por dinheiro ou por presente (dentadura, saco de cimento, licitação etc.). Outros 12% afirmaram estarem dispostos a aceitar dinheiro para mudar o voto; 79% acreditam que eleitores vendem votos; 33% concordam que não se faz política sem corrupção; 92% acreditam que há corrupção no Congresso e partidos políticos; e 88%, na Presidência da República e ministérios.
 
Dos entrevistados, 13% já ouviram pedido de propina e 36% desses (quase 8 milhões de pessoas), pagaram; 5% (7,5 milhões) já ofereceram propina a funcionário público; 4% (6 milhões) pagaram para serem atendidos antes em serviço público de saúde; 2% (3 milhões) compraram CNH; 1% (1,5 milhão de pessoas) compraram diploma falso. Mais: 83% (125 milhões de pessoas) admitiram uma prática ilegítima; 28% praticaram de 5 a 10 ações; 49%, até quatro irregularidades. Para 31% dos entrevistados (quase 50 milhões de pessoas) colaram em provas ou concursos (49% entre os jovens); 27% receberam troco a mais e não devolveram; 26% admitiram passar sinal vermelho; 14% assumiram parar carro em fila dupla. Dos entrevistados, 68% compraram produtos piratas; 30% compraram contrabando; 27% baixaram música sem pagar; 18% compraram de cambistas; 15% baixaram filmes sem pagar. É dos ricos e estudados as maiores taxas de infrações (97% dos que ganham mais de dez mínimo, e 93% dos que têm ensino superior. Entre os mais pobres, 76% assumem infrações. Apesar disso, 74% dizem que sempre respeitam as leis e 56% afirmam que a maioria tentaria tirar proveito, caso tivesse chance.
 
Luiz Flávio Gomes
Jurista, professor

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