A quase uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, o governo federal vem recebendo notícias bastantes negativas, as quais contradizem frontalmente o discurso afinado entre Dilma Rousseff (PT) e seus aliados. Ao insistir em dizer que tudo está bem na economia brasileira, que vivemos uma situação de pleno emprego e que a inflação está sob controle, a candidata-presidente tenta negar a realidade. A falta de rumo na política econômica, em total descompasso com o discurso eleitoral, tem ficado patente nos últimos meses, a ponto de nenhum prognóstico traçado pelo governo no final do ano passado ter se concretizado.
Anteontem, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apontou que a criação de empregos com carteira assinada registrou em setembro o pior resultado para o mês em todo o governo petista. Resultado menor ocorreu apenas em 2001. Mesmo assim, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, mostra um otimismo que vai contra qualquer previsão, principalmente quando se sabe que há uma queda nas contratações formais no último trimestre do ano. O ministro espera que 2014 encerre com o saldo de 1 milhão de contratações, o que não deve acontecer. No começo do ano falava-se em 2 milhões.
Além disso, o crescimento econômico deve ficar bem abaixo dos 4,5% esperados pela equipe econômica do governo federal: os últimos indicadores mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) deve ficar em volta de 0,5% ou até menos, abaixo dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da América Latina. Nestes dois blocos, só vai superar a Rússia (que vive uma turbulência interna, com a crise dos países vizinhos) e a Venezuela (onde a política econômica segue as ordens do presidente Nicolás Maduro; o país vive uma grave crise de abastecimento).
Para o ano que vem, as perspectivas também não são as melhores, com a previsão de crescimento de apenas 1,5% do PIB. Já a inflação, em 2014, está próxima de estourar a meta (6,5%) traçada pela equipe econômica no começo do ano. Os preços estão subindo e afetam a população de mais baixa renda, que sentem no bolso os reajustes cada vez mais constantes aplicados nos produtos de primeira necessidade. E isso se reflete nos humores da própria população, que vem reforçando o sentimento de mudança em que vive o País.
E nisso tudo a culpa é do próprio governo. Sem ter outra alternativa a não ser a política de desonerações que acabou se esgotando, por causa da estagnação do mercado interno e da retração em parceiros comerciais como a Argentina, a equipe econômica credita à conjuntura mundial os desacertos de sua atuação. É necessário que as medidas que vêm sendo adiadas pelo governo federal sejam tomadas de imediato, como uma reforma tributária profunda, estimular o investimento no setor produtivo e prospectar novos mercados para que o Brasil volte a crescer. A continuar como está, teremos muitas dificuldades para sair desta situação. Dilma Rousseff deveria ter agido com maior presteza, porque com a piora da situação, o remédio agora terá que ser amargo.
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