Acompanhado de advogado, um jovem de 21 anos, que se declarou profissional autônomo, compareceu ontem ao 3º Distrito Policial. Ele assumiu ser o único “responsável” pelos quase R$ 11 milhões de agrotóxicos falsificados e equipamentos apreendidos pela equipe do DP entre os últimos dias 9 e 10 de outubro. As apreensões ocorreram em chácaras, localizadas em Cristais Paulista, e no Distrito Industrial, em Franca, além de um barracão, no próprio Distrito. Identidade e local de residência do rapaz não foram revelados.
“Ele assumiu tudo”, disse o delegado Leopoldo Gomes Novais, do 3º DP. As duas chácaras e o barracão teriam sido alugados pelo autônomo. No interrogatório que prestou, perante seu advogado, o rapaz alegou que seria o único responsável pela manipulação, embalagem e venda dos produtos. Sob orientação, ele não prestou outros esclarecimentos e limitou-se apenas a assumir a posse do material.
“O trabalho prossegue. Ele assumiu ser o único responsável, mas é lógico que esta informação está sob investigação. Há muitas perguntas sem respostas e toda a verdade será conhecida quando o inquérito for concluído”, destacou o delegado Novais. Ele adiantou que o jovem responderá ao inquérito em liberdade. “Os laudos que comprovam a falsificação dos produtos devem levar algum tempo para serem emitidos e, por este motivo, ele continuará em liberdade”, adiantou Novais.
Materiais localizados
As apreensões ocorreram em três locais diferentes no intervalo de dois dias. A primeira ação ocorreu na manhã do dia 9. Policiais do 3º DP que investigavam furtos, perseguiram um suspeito que invadiu uma chácara em Cristais. No local, foi descoberto um laboratório clandestino de produtos para agricultura. Horas depois, uma denúncia anônima levou a mesma equipe a “estourar” um depósito com quantidade ainda maior de agrotóxicos falsificados no Distrito Industrial. Rótulos, embalagens e caixas para armazenamento, além de equipamentos para a produção dos defensivos, também foram apreendidos.
“Foi de forma inusitada que chegamos até o primeiro local (chácara em Cristais). Verificamos que havia embalagens novas, rótulos, balanças de precisão, betoneiras, batedeiras, balanças de precisão, objetos para a vedação a quente e produtos já prontos para serem colocados no mercado, ou seja, todo o maquinário para a manufatura desses produtos”, afirmou na ocasião da primeira apreensão o delegado Novais, que avaliou os produtos em R$ 1 milhão. No período da tarde, uma segunda diligência levou os policiais a um barracão no Distrito Industrial. Outros R$ 5 milhões foram localizados.
Sexta-feira, 10, através de nova denúncia anônima, o 3º DP realizou outra grande apreensão de agrotóxicos falsos em uma chácara de difícil acesso no Distrito Industrial. O local seria o laboratório responsável pela produção dos produtos adulterados, localizados no dia anterior. Neste dia, os produtos foram avaliados em mais de R$ 5 milhões.
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