O importante é o caminho


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O tempo, bem usufruído, a revela intelectualmente em sua plenitude. Encontra-se no esplendor de sua inteligência e lucidez. Educadora consciente do papel relevante desempenhado em sua existência, com experiência em todos os níveis de educação, dedica-se ao ensino de Filosofia, como voluntária, a um grupo de pessoas da terceira idade, ávidas por ideias e que trazem consigo saberes diversos que simbolizam, em mínima escala, as montanhas do conhecimento que ladeadas formam a cordilheira do pensamento humano.
 
Quando criança, irmã mais velha de sete irmãos, brincava e corria com eles, acompanhando-os em jogos e diversões de meninos. No entanto, havia grande distinção entre os quereres e fazeres. Limitados eram os privilégios das meninas. Só os filhos homens estudavam, estando a filhas destinadas às lides caseiras. Porém, seu pai vislumbrou o futuro, encaminhando–a aos estudos em colégio interno. Teve início um caminho de seriedade, dedicação, objetividade. Transpondo as barreiras encontradas, laureou-se em vários cursos com brilhantismo.
 
Às vezes, sente-se exaurida pelos desgastes físicos naturais do ser humano. Surge-lhe uma indecisão em continuar o seu desafio ou encerrar esta atividade de ensinar que a norteia pela vida afora, mas seus companheiros de estudo, ansiosos por suas sábias palavras e reflexões não o permitem. Querem que ela continue a partilhar o ambiente de cordialidade, sem competições, traduzido em um acolhimento amistoso. 
 
A professora relembra, então, seus primeiros anos de estudo, no grupo escolar, daquela pequenina cidade que quase se transformou numa ilha, pela invasão das águas represadas do Rio Grande. Envolta em pensamentos, ainda sente o silêncio inebriante daquelas paragens, respira o ar puro no balanço do galho de mangueira, recorda a correnteza impetuosa do rio, o fluir das águas movendo-se com objetivo definido. A vida, professora, é puro movimento, o tempo todo, física e metaforicamente, pode ser de uns em direção aos outros, para cima ou para baixo, mas sempre para frente, nunca parando e dirigindo-se ao infinito. Para mover o mundo, o primeiro passo é mover a si mesmo, nos ensina Platão. O importante é o caminho.  
 
 
Maria Rita Liporoni Toledo, professora
 
 
 
 

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