Coisas parecem maiores ou pequenas demais. O tempo se liquefaz, desmancha e cai entre os dedos. Vontade de pegar tudo, controlar todos. Somos moléculas líquidas nesse universo de sólidos enormes. Grão de areia liquefeito no deserto imenso, com apenas o som uom uom uom. Insignificância das importâncias. O infinito relativiza situações, medo, atitudes. Oferece novo prisma, outra ótica, visão diferente. Irrelevância do visto antes. A dimensão do viver é bem menor do que gostaríamos. O tempo corre, sem anuência. Bom seria poder viver isso de longe, de fora, com a consciência de agora. Seria engraçado e mole, muito molengo. Bola de gelatina jogada ao vento.
Tânia Liporoni, advogada e autora de Parceria de Um e Pega-me. Membro da Academia Francana de Letras
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