Morreu!
Entre o tapete encardido
e a chinela havaiana
a barata teve seu termo.
Humilhada
em sua esperteza.
Esmagada em sua leveza.
Abaratamorreu!
Todo o país
parou para ver
esmagado
seu corpo delgado.
Um tapete indigno
retalho aproveitado
de velha toalha de banho,
foi seu derradeiro pouso
e o palco de sua tragédia.
A barata morreu, imaginem!,
como qualquer brasileiro.
Finou-se sem direito
sequer a um último pedido.
Esmagada
Atropelada
Pelada
Pertinho da geladeira,
A um passo da comida.
Morreu!
Como qualquer brasileiro pobre.
Pobre
Barata
Brasileira!
Ronaldo Silva, vendedor, universitário
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