Comemorado ontem, o Dia do Professor praticamente passou em branco. Hoje, a classe dos educadores vê-se encalacrada entre a falta de valorização pelas autoridades e de respeito de seus próprios alunos e dos respectivos pais. Já dissemos aqui que há uma completa inversão na percepção da função dos mestres: a eles cabe ensinar, enquanto a educação de seus alunos deve ser exercida pelos pais, em suas casas. Hoje exige-se muito do professor sem que ele receba em troca condições dignas de trabalho e de sobrevivência. Há muitos que vivem dias de medo e insegurança, diante das ameaças sofridas dentro das salas de aula. O noticiário policial das últimas décadas mostra bem isso.
A valorização da categoria é fundamental como reconhecimento de sua importância. O professor está na base de todo o conhecimento humano. Nada acontece caso não exista aquele que ensine as primeiras letras, as operações básicas da matemática e os fundamentos das outras matérias que compõem o currículo escolar básico. Sem a transmissão do conhecimento, inexistiria a sociedade como a conhecemos. Embora ainda tenhamos um alto índice de analfabetismo no País, a base da pirâmide precisa ser estimulada e destacada, recebendo condições de aprimoramento para que o Brasil avance em termos de educação.
Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), da OCDE (Organização para a Cooperação), divulgada este ano, mostrou que são muitos os desafios a serem vencidos pelos professores do ensino básico no Brasil. Quase 90% acreditam que a profissão não é valorizada na sociedade. Mesmo assim, a maioria (87%) sente-se realizada com o trabalho. Também, segundo a pesquisa, 20% do tempo em sala de aula são usados para controlar o comportamento dos alunos. É uma clara demonstração de que, embora o trabalho de ensinar seja gratificante para a maioria dos profissionais, a falta de condições de trabalho e a dificuldade de se impor dentro de classe são fatores preponderantes para os baixos índices registrados pelo ensino em nossa terra.
Além disso, a formação é fator relevante quando se fala da carreira de professor. Os dados do Censo da Educação Superior mostram que, em 2013, os formandos em licenciaturas foram 201.353. O número vem caindo desde 2011, quando foram registrados 238.107 concluintes no grau acadêmico. Em 2012, foram 223.892. O número era 145.859 em 2003 e atingiu o pico dos últimos dez anos em 2009, com 241.536 concluintes em licenciaturas. Os problemas enfrentados na profissão são preponderantes para esta “fuga”, o que o desestímulo acaba por agravar.
Caso não haja valorização e o professor volte a ter voz ativa dentro da classe, dificilmente conseguiremos reverter a situação difícil pela qual passa o ensino no País. É preciso que o educador readquira a importância que ostentava em meados do século passado e seja estimulado e protegido. Só assim nossas futuras gerações poderão contar com uma educação de qualidade, capaz de prepará-las não apenas academicamente, mas também para os desafios que certamente irão enfrentar na profissão que escolherem para si.
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