Um terço das casas de Franca amanheceu sem água nessa quarta-feira. Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), 34 mil residências e pontos comerciais espalhados por 71 bairros ficaram com as torneiras secas. Sem chuva e com o calor batendo recorde na cidade, a situação dos reservatórios piorou e não há previsão de melhora. Nesta quinta-feira, outros 64 bairros ficarão sem água. A diferença é que, pela primeira vez, a companhia divulgou a lista dos locais atingidos (veja no quadro abaixo). Mas ainda não admite o racionamento.
A falta de água nas torneiras, segundo a Sabesp, é resultado direto da falta de chuvas que aflige a região e fez baixar o nível dos principais rios onde é feita a captação para abastecer a cidade.
Para se ter ideia, no rio Canoas, que normalmente responde por 80% do abastecimento, a captação que costuma ser de 920 litros de água por segundo hoje está variando entre 450 e 500 litros. No Pouso Alegre, que em dias normais fornece 220 litros por segundo, a captação caiu para 80 litros. “No rio Canoas, ontem (terça-feira), trabalhamos com 45% da capacidade e no Pouso Alegre com 65%”, afirmou a empresa em uma nota oficial.
Nem mesmo os sistemas alternativos implementados têm sido suficientes para evitar a falta de água.
Atualmente, a Sabesp trabalha com 27 caminhões-pipa buscando água em represas ou açudes particulares de Franca e região, entre eles, a represa do Clube Castelinho e do Parque dos Trabalhadores.
Na terça-feira, a empresa também começou as obras emergenciais para retirar água em uma fazenda localizada em Franca. A represa tem entre 30 mil e 40 mil metros cúbicos de água. A intenção é retirar pelo menos 15 mil metros cúbicos e transportá-los por canos até o rio Canoas. As obras começaram ontem e devem estar concluídas até o fim de semana.
Para piorar, com o calor batendo recordes na cidade, o consumo que estava controlado também subiu. Até algumas semanas atrás, na média, cada francano estava consumindo cerca de 130 litros por dia. Nessa quarta-feira, a média registrada foi de 170 litros.
Para o gerente distrital da Sabesp em Franca, Rui Engrácia, é preciso mais do que economizar. “O ideal é que cada cidadão respeitasse a meta estipulada pela Organização Mundial de Saúde, que é de 110 litros diários. Precisamos nos conscientizar de que estamos enfrentando uma grave crise no abastecimento”, afirmou Engrácia.
Sobre a distribuição da sexta-feira, a companhia informou que a falta de água vai depender de como os reservatórios se comportarão hoje.
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