Os casos de falta de água se espalharam por Franca ontem. Segundo a Sabesp, as torneiras de 71 bairros secaram nessa quarta-feira e o mesmo deve se repetir hoje (leia na Página 4-A). Cientes da crítica situação que todo o país tem enfrentado, os francanos sabem que a medida é inevitável, mas reclamam do fato de a companhia realizar interrupções sem aviso prévio, o que dificulta a rotina de todos.
O “corte surpresa” tumultuou a vida de milhares de francanos. Moradora do City Petrópolis, a vendedora aposentada Dolores Ribeiro notou a falta de água logo nas primeiras horas da manhã e se preocupou. Ela e o marido são deficientes visuais e não tiveram tempo de se organizarem, pois não sabiam do corte. Para piorar a situação, a caixa d’água da casa dos dois é de apenas 250 litros. “É difícil para todo mundo ficar sem água, mas para mim e meu marido ainda é pior porque nós somos deficientes visuais. A solução foi comprar comida porque não teve como fazer almoço. Sei que está faltando água em todo o lugar, mas poderiam pelo menos avisar os dias que vai faltar em cada bairro para as pessoas se prevenirem”, disse Dolores.
Água na mina
Sem alternativa e nenhuma gota de água nas torneiras de casa, moradores do City Petrópolis recorreram a uma mina. No local, adultos, idosos e crianças formavam fila com baldes e garrafas com o intuito de conseguir água para, pelo menos, controlar a situação em casa. Enquanto aguardavam para encher os reservatórios improvisados, os moradores comentavam o quanto a água da mina também tem diminuído e relataram que antes era possível encher galões de 20 litros em poucos segundos e agora está demorando para encher até as garrafas de dois litros.
“O pessoal aqui do City Petrópolis sempre busca água aqui, mas não sabemos até quando será possível. Antes jorrava pelo cano e agora tem saído pouca água. As filas ficam enormes no fimda tarde”, disse a aposentada.
A doméstica aposentada Ruth Alves da Silva também foi surpreendida. Moradora na Vila Monteiro, notou tarde que as torneiras estavam secando e não conseguiu improvisar muitos reservatórios. “Enchi algumas vasilhas e galões, mas não vai dar para quase nada. Estava com pintores trabalhando em casa, mas tiveram que ir embora. Se tivessem avisado antes, tinha organizado com eles e, às vezes, era melhor nem terem vindo hoje.”
No Leporace, o fornecimento de água também foi interrompido. Moradores entraram em contato com o Comércio durante toda a quarta para relatar a ausência de água em suas casas. Muitos se dividiam entre a revolta com a falta de comunicação e a indignação com vizinhos que insistiam em desperdiçar água.
“Estamos com este problema em toda a cidade e hoje estamos vivendo isto aqui no bairro. Mas, mesmo assim, as pessoas não se conscientizam. É comum ver vizinhos lavando o quintal, a garagem e até a rua para o pó não ir para dentro de casa. Isso é um abuso que vai prejudicar todo mundo. Eles falam para a gente denunciar, mas não adianta nada. Além disso, ligamos na Sabesp, mas eles pedem número de tantos documentos que a gente até desiste”, disse a sapateira Aparecida Penha Muniz.
A Sabesp informou que as denúncias de desperdício podem ser feitas pelo 0800-0550195. O atendente registra e encaminha para Franca. Um profissional da companhia vai até a casa denunciada e orienta o responsável para que evite o desperdício. Mas não há, realmente, punição.
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