Menina passarinha


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No ninho havia um só ovo.
 
Era o ovo mais colorido do mundo. Isso o tornava especial, diferente. O ninho onde estava era perfumado. Estava decorado com minúsculas flores,  todo cheio de afeto e cuidado. Um dia trincou o ovo e de dentro dele saiu uma passarinha miudinha e linda. Não pode existir no mundo maior delicadeza do que a sutil existência desta ave. 
 
A mãe da pequenininha ficou encantada. E o pai achou que no universo nunca ninguém encontraria beleza similar em qualquer ninho. Eles a amavam! 
 
Cada uma de suas penas era de uma cor e seu cantar parecia tão mágico que era capaz de desabrochar as flores da primavera. Deram-lhe o nome de Evellyn, pois o ressoar deste nome parecia música e era nome bom para cantar.
 
Evellyn não cresceu muito, o que crescia nela era um medo enorme e negro que contrastava com todas as suas cores. Assim, sem coragem ela não queria voar.
 
-Voe, Evellyn! -Dizia-lhe a mãe.
 
-Você consegue!-Estimulava o seu pai, exatamente como faz “pai de gente” quando tira as rodinhas da bicicleta.
 
Os olhinhos dela; redondinhos, molhados e assustados olhavam para as miudezas da vida que passava corrida lá embaixo do ninho alto. Eram olhos que não piscam e em pouco tempo ela escondia a cabecinha por baixo de uma de suas asas e ficava quietinha.
 
Evellyn tinha medo de voar!
 
Um dia, quando sozinha no ninho, ela avistou longe um arco-íris e achou que ele a abraçaria, pois eram muito parecidos. Mas ele podia rasgar o céu inteiro de lado a lado. Ficou admirada. Foi indo em direção a ele e abriu as asas, suspirou fundo e tropeçou no trançado do ninho apertado. Bater asas era instintivo. Ela bateu muito suas asas com rapidez na direção de seu novo amigo.
 
Posso dizer que poucas coisas na vida são tão lindas como voar no lugar de cair!
 
Quando retornou para a casa, em seu ninho perfumado e florido; sua mãe estava preocupadíssima e ficou muito alegre. Estava com uma minhoca no bico que havia pegado para o jantar. Nesta hora a minhoca até deu um jeito e fugiu. Abraçaram-se enlaçando as asas e cantando.
 
O papai e a mamãe ficaram felizes demais em ver a filha rasgar o céu todos os dias dali em diante, com suas asas coloridas, sem medo algum.
 
Milla Souza

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