O registro das transações econômicas do país com o resto do mundo — balança de pagamentos — não apresenta números favoráveis. Em 2013, nossa balança comercial mostrou ligeiro superávit — US$ 2.402 milhões, ante um volume de exportações de US$ 242.034 milhões e importações de US$ 239.631 milhões. As transações correntes, no entanto, revelam desconforto, pois, quando se agregam à balança comercial os itens serviços, rendas e transferências unilaterais correntes, o déficit chega a US$ 81.215 mi. O resultado final na balança de pagamentos de 2013 mostra variação negativa das reservas de quase US$ 6 bilhões.
Os dados disponíveis para 2014, até agosto, fornecidos pelo Bacen, não revelam mudança. Houve, até aquela data, pequeno saldo positivo na balança comercial da ordem de US$ 249 milhões, resultado de vendas ao exterior da ordem de US$ 154.016 milhões e importações no valor de US$ 153.769 milhões. Enquanto isso, as transações correntes acusaram déficit de US$ 54.818 milhões.
Os números não surpreendem. Nossa participação no comércio mundial tem ficado em torno de 1% e não temos progredido. Somos exportadores de ‘commodities’, como minério de ferro e soja, como antes era de café. As exportações de manufaturados, que chegaram a relativo destaque na pauta das exportações brasileiras, ficaram para trás. Estamos ficando longe do mundo e, além disso, dependentes de poucos parceiros comerciais. Urge, portanto, radical mudança que deve começar pela revisão da valorização do real. Será necessário favorecer a revitalização da indústria nacional para que se torne significante na geração de emprego e nas exportações de manufaturados. Precisamos também, na OMC, batalhar contra práticas nocivas e desleais de parceiros mais ousados. É a tarefa que nos aguarda.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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