O forte calor dos últimos dias, sem que haja uma expectativa de chuvas pelo menos nos próximos dez dias (segundo a previsão dos institutos meteorológicos, só virão depois do próximo dia 26), expõe a necessidade da busca de soluções para a questão, que pode deixar não apenas Franca, mas também toda a região sem abastecimento regular de água e até de energia elétrica, por causa da capacidade dos reservatórios. Embora estejamos vivendo uma situação difícil há meses, ainda é possível que, no tocante ao abastecimento de água, uma série de medidas sejam tomadas para que não haja um corte do fornecimento em toda a cidade.
A maioria destas providências já deveria ter sido tomada. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que se nega em adotar um racionamento coordenado, admite apenas a falta de água em alguns bairros localizados nas colinas (como Aeroporto e alto da Santa Cruz e adjacências), por causa da capacidade das bombas nos reservatórios elevados. O que não se entende é a teimosia (não só aqui como também em outros pontos do Estado) em evitar o racionamento quando ele é necessário para não se chegar à escassez total.
A situação é crítica. Alguns pontos de Franca já sofrem com a falta de abastecimento por períodos prolongados. Se houver um racionamento programado, estas regiões deixarão de ser penalizadas. Além disso, a iniciativa pode preservar os mananciais que estão sendo esgotados (desde as estações Canoas e Pouso Alegre até as represas particulares das quais a Sabesp vem lançando mão nos últimos dias). Embora haja previsão de chuvas para daqui a 11 dias, nada é certo nas análises meteorológicas para uma data tão distante.
Pedir para que a população restrinja o uso da água tornou-se vaca fria, como se diz por aí. Todos precisam fazer a sua parte para que o fornecimento não seja interrompido nos próximos dias. À Sabesp cabe programar cortes e suspensão no abastecimento por toda a cidade. Só assim será possível a preservação dos nossos mananciais, os quais dependem de muita chuva para a recomposição de seus níveis. Já se sabe que, mesmo caindo em volume considerável, por causa da seca prolongada, as chuvas previstas não serão suficientes.
Como um recurso finito (e do qual a vida depende para a sua existência), a redução no fornecimento de água pode se intensificar ainda mais, não apenas agora, diante desta estiagem prolongada, mas também em termos de futuro. Embora 71% da superfície da Terra seja formada por água em estado líquido, 97% estão nos oceanos, ou seja, o líquido hoje é impróprio para o consumo. Os rios e mananciais subterrâneos, dos quais é captada a água para consumo humano, são apenas 1%. Somando-se a isso o fato de que o brasileiro depende, em sua maioria, da geração de energia por hidrelétricas, vê-se que a dependência é grande e é necessário o seu uso com parcimônia e responsabilidade, para que amanhã a vida sobre o Planeta não seja inviabilizada. Temos que pensar nisso a partir de agora.
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