Temperatura atinge 36,4ºC e Franca registra o dia mais quente da história


| Tempo de leitura: 3 min
O carteiro Hélio Antônio Borges mudou o horário de trabalho para evitar os períodos mais quentes
O carteiro Hélio Antônio Borges mudou o horário de trabalho para evitar os períodos mais quentes
Terça-feira, 14 de outubro: o dia mais quente da história de Franca. Por volta das 14 horas de ontem, os termômetros da Estação Automática do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) na cidade registraram a temperatura de 36,4ºC - marca recorde desde que o órgão começou a fazer os registros, em 1961. 
 
Segundo o Inmet, o recorde de temperatura havia sido registrado em 1963, quando os termômetros marcaram 35,5ºC na cidade. Esse número já havia sido superado nessa segunda-feira, 13, quando a Estação Automática marcou 35,6ºC em Franca, e voltou a ser superado ontem. “Uma nova marca para a cidade foi alcançada hoje (ontem) e esse número pode ser novamente batido na sexta-feira ou sábado, quando a temperatura deve chegar a 37ºC”, disse o meteorologista do Inmet Marcelo Schneider.
 
O recorde de “apenas” 36,4ºC pode causar estranheza nos francanos que testemunharam os termômetros de rua registrando até 42ºC em diferentes pontos da cidade ontem. A explicação é simples: por ficarem expostos ao tempo, esses equipamentos são mais suscetíveis à influência do sol, chuva, vento, por exemplo, e não refletem a temperatura real.
 
Se o calor está alto, a umidade relativa está baixa. Ontem a cidade entrou em estado de atenção. Por volta das 15 horas, foi registrado o menor percentual do dia: 13%. Índices abaixo de 12% já significam estado de alerta. Segundo o Inmet, a chuva só deve chegar a Franca no início da próxima semana.
 
Comemora
A elevação nos termômetros divide opiniões. Enquanto alguns comerciantes comemoram o calorão, outros profissionais penam para cumprir a jornada de trabalho nos dias quentes.
 
O gerente da unidade das Lojas Xavier do Centro, Jorge Sá, aproveitou a alta nas temperaturas para expor ventiladores e climatizadores na porta do estabelecimento. Segundo Sá, somente nas últimas segunda e terça-feira a venda dessa linha de produtos subiu 39% em comparação com segundas e terças de clima ameno. “Essa semana as vendas engrenaram bem. Faz umas três semanas que colocamos os produtos na entrada da loja, mas o maior aumento foi nesta semana”, disse.
 
O proprietário da loja de ar condicionado Ecol, Daniel Ribeiro, também está comemorando o tempo quente. Ele disse que as vendas em seu estabelecimento subiram 60% nas últimas semanas e que já busca novos funcionários para dar conta do atendimento. “Só ontem (segunda-feira), vendemos 42 aparelhos. Em dias normais, a média é de oito. Hoje tenho 15 funcionários na loja, mas pretendo contratar mais três para dar conta da demanda.”
 
O calor levou a dona de casa Nilda Dias, 39, ao Centro da cidade no fim da tarde de ontem para comprar ventiladores. “Não tinha ventilador em casa, porque não sentia falta. Mas está tão quente que comprei logo dois.”
 
Sofre
Já outros profissionais que trabalham nas ruas têm que buscar alternativas para fugir do sol quente. Carteiro há 18 anos, Hélio Antônio Borges, 48, tem feito suas entregas com chapéu, camisa de manga cumprida, calça e óculos de sol. Ele disse que sua equipe também alterou o horário de entrega das correspondências para períodos do dia com temperaturas mais amenas. “Antes, organizávamos tudo de manhã e saíamos para entregar à tarde. Agora estamos fazendo entrega até umas 10 horas e depois das 16.”
 
A equipe do carteiro Eslie Carlos de Oliveira, 45, não pôde alterar a rotina e tem buscado alternativas para amenizar o calorão. “Como fazemos entregas de encomendas e malotes que têm hora para chegar ao destino não tem como fugir do sol quente. O jeito é beber muita água e passar o protetor solar.” Carteiro há 19 anos, Oliveira disse que 2014 tem sido o ano mais difícil para trabalhar nas ruas. “Esse ano está sufocante.”
 
Clique na imagem:

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários