O risco de Franca sofrer com o racionamento de água a partir de hoje é grande. Apesar de as autoridades não admitirem a hipótese publicamente, a falta de água já atinge diversos bairros. Ontem boa parte da cidade ficou com as torneiras secas e pode ser que hoje o mesmo aconteça. O motivo é a falta de chuvas.
Nessa terça-feira, o cenário no principal ponto de captação de água era alarmante. Na Estação do rio Canoas, responsável por 80% do abastecimento, o nível da água baixou cerca de dois metros. Duas, das três bombas, tiveram de ser desligadas. Os cerca de 920 litros captados por segundo naquele ponto agora não passam de 550, uma redução de quase 50% na oferta de água.
Mesmo com o volume extra conseguido em represas de propriedades particulares, a captação não foi suficiente para atender toda a cidade ontem. Segundo a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), diversos bairros nas regiões da Estação, Cidade Nova, Santa Cruz, Parque Progresso, Aeroporto e Santa Bárbara ficaram sem água.
Além da queda na captação, provocada pela falta de chuvas, o calor, que chegou aos 35ºC na segunda-feira e ultrapassou os 36ºC na quarta, também fez o consumo aumentar. “Os reservatórios que normalmente amanhecem com 90% de seu volume, hoje (ontem) tinham 50%. Infelizmente alguns bairros enfrentaram problemas de corte no fornecimento”, disse o gerente distrital da companhia, Rui Engrácia Garcia Caluz.
O gerente distrital disse que esta é a pior seca desde que a Sabesp passou a atender a cidade. “Nunca enfrentamos algo tão grave assim. Para se ter ideia do quadro, esta estação foi projetada para trabalhar com uma captação mínima de 660 litros por segundo. Estamos bem abaixo do mínimo, com cerca de 550 litros. Temos que fazer o monitoramento 24 horas por dia para não piorar ainda mais a captação”.
Em nota, a Sabesp informou que a falta de água pode continuar nesta quarta-feira. “Será feita uma nova avaliação nas condições de reserva e produção de água para identificar se haverá novas ocorrências de falta de água”, afirmou.
Apesar disso, Rui Engrácia ainda evita falar abertamente em racionamento ou rodízio no fornecimento. “Essa será nossa última hipótese. Estamos buscando mais parcerias com a ajuda da Prefeitura para conseguir água em represas particulares e esperamos que chova já na semana que vem.”
Se não houver chuva como o esperado, Rui disse que o racionamento dependerá do volume consumido. “O que estamos falando agora é que economizar apenas não adianta. Temos que limitar o consumo ao mínimo necessário ou não teremos água”.
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